sábado, 30 de abril de 2005

Ajax


Semana acabando, coisas a pensar. Aprendi algumas lições estes últimos dias, lições básicas de sobrevivência - em vários sentidos.
Para ser melhor um ser social, emocional, economicamente capacitado, deve-se aprender palavras básicas como "não" e "futuro"; aprender a pedir desculpas ao universo sempre que necessário; lembrar sempre que toda ação gera uma reação, que todo ato tem sua consequência... coisinhas que sempre propaguei aos quatro ventos, mas pelo visto eu mesma não fazia direito.
Pois bem, às vezes a gente leva umas rasteiras sem perceber e o mundo se transforma, pequeninas partículas de um grande algo passam a ser percebidas a olho nu e nossa visão se amplia. Bom? Ruim? Acho eu que bom. Aprendi que ninguém melhor que nós mesmos para cuidar bem do que é nosso.
Fiz um curso básico de finanças no Sebrae esses dias (por isso demorei a postar!!), consegui visualizar erros na administração de vários pontos da minha vida. Interessante foi perceber que tudo tem conserto, é só saber jogar com as armas certas.
Talvez tenha sido só uma empolgação, ligada à sensação de página em branco pela qual fui tomada; ainda não posso garantir nada. Mas parece que injetaram guaraná em pó no meu cérebro, estou respirando ar novo, com a mente cheia de idéias e soluções para projetos antes emperrados.
Benza Deus que isso só melhore!
Foco, foco, foco. Palavra do ano.
E hoje, música de "limpeza e clareza mental".
Anauê!

Maestro, qual é a música?
Hoje, especialmente, um cd completo: "Heaven or Las Vegas" - Cocteau Twins

Vídeo

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Balão de oxigênio, rápido!

Believe me... o modem aqui de casa morreu. Há exatamente uma semana, e só hoje voltei a me conectar com o mundo. Isso após ter escrito uma ode ao meu apego pela internet, praticamente, em meu último post.
Mas agora, problemas resolvidos, voltemos ao cotidiano.
Hoje acordei enevoada por uma crise de labirintite. Não consigo pensar em outro termo, enevoada é realmente o mais coerente com a situação. Tive isso só quando voava direto e mal, na minha fase Zumbi de Guarulhos. Era o apelido da minha turma no vôo, as meninas mais novas que só voavam de madrugada, pois a empresa decidiu que as turmas mais novas não teriam direito a ganhar horas de vôo noturnas. Bem gente boa, a chefia. Era só Buenos Aires bate-volta, São Paulo-Belém-Manaus e por aí afora. Organismo desreguladíssimo, crises horríveis de passar o dia na cama ho hotel, no escuro, "gente, pára o mundo que eu quero descer!!!".
Aí passou. Mas confesso que ando abusando de novo, agora por internet e livros. Estou numa fase devoradora de livros.
Alguém leu "Anjos e Demônios", do Dan Brown? É o autor do Código da Vinci. Li semana passada, absurdamente envolvida. A história toda se passa durante o conclave para a escolha de um novo Papa, o que tornou ainda mais interessante, já que essa foi a semana de escolha do Papa atual. Escolhido hoje, por sinal. E mais uma vez o alemão chega na frente... Aprendi muito sobre as tradições e mistérios da Santa Madre Igreja. Com uma história policial e aventuresca pra florear, obviamente.
Então, meu horário médio de "ir dormir" semana passada foi 4 da manhã, graças ao Sr. Dan Brown e equipe. Com exceção da madrugada de sexta, última parte do livro, horário: 5:30 da manhã. Insanidade, para quem precisa estar funcional em horário comercial.
Aí o corpinho desmonta, né?
Falando nisso, Morfeu me chama. Ele já piscou para mim lá de longe, acho que esse cara quer algo comigo. Vou conferir, depois dou mais detalhes.

PS: a família capotada passa bem, obrigada. Alguns ajustes de dia-a-dia, mas de saúde, todos melhorando. Ainda bem...

Maestro, qual é a música?
A Lullaby - Charlotte Church - Álbum Charlotte Church

I'll set you a-swing in a purple bell
Of the lady finger
Where brown bees linger
And loiter long
I'll set you a-swing in a fairy dell
To the silv'ry ring
Of a fairy song

I'll put you afloat in a boat of pearl
On a moonlit sea
where your path shall be
Of silver and blue
To fairyland children, sweet girl
To its rode-strewn strand bathed in glistining dew
Bathed in glist'ning dew

I'll make you a nest, a soft, warm nest
In my heart's core
Alanniv ashore
When day is gone
Where cosily curled on mother's breast
My share o' the world
You'll rest till dawn

sábado, 9 de abril de 2005

Vida Social Virtual?


Um problema, isso. Orkut, Gazzag, 1grau, hi5, SMS... ah, claro, tô em todos. Com certeza também em outros e nem lembro. Fora os meus seis endereços diferentes de e-mails. E sempre fui aquela pessoa que dizia "ah, eu o-dei-o computador, nada se compara a uma visita, um telefonema, olhar no olho de quem se gosta". Mas dizem que o peixe morre pela boca e hoje cá estou eu, completamente conectada.
Por um lado achei pessoas que haviam sumido há milênios da minha vida; como sou a organizadora oficial de encontros das minhas várias turmas, desde que me conheço por gente, isso é uma mão na roda. Por outro minhas madrugadas têm sido ocupadas demais.
Na verdade tenho picos nesse meu vício. Aí sumo, dias, semanas sem me logar (e desde quando logar é palavra? Desde o advento da internet, diria um leitor mais atento). Tudo na mais santa paz.
De repente o bichinho do rãrrã me pega e pronto, uma semana pelo menos de considerável aumento da minha tendinite, olheiras, palavras, palavras, palavras. Uff! Falo isso porque entrei em uma semana destas, por isso a sensação tão real e próxima de mim.
O bom é saber que daqui a pouco passa, pelo menos até a próxima crise de abstinência...
Não vou nem entrar então na minha neura com seriados da Sony, Warner e Fox. Já diminuí consideravelmente a dose, no entanto a substância continua sendo injetada. Mas isso é assunto para outro post.

Maestro, qual é a música?
Connection - Elastica - Álbum Elastica

Video

Riding on any wave,
That is the luck you crave,
They don't believe it now,
They just think it's stupid,
So got anything?
Anyone could have done,
Who would've cared at all,
not you.

Another heart has made the trade,
Forget it, forget it, forget it,
I don't understand how a heart is a spade,
But somehow the vital connection is made.

Riding on anything,
Anything's good enough,
Who would've thought it of
Someone like you,
Just as they brought me round,
Now that they brought you down,
Roundabout and roundabout
Who wants a life anyway?

Another heart has made the grade,
Forget it, forget it, forget it,
I don't understand how the last card is played,
But somehow the vital connection is made.

quinta-feira, 7 de abril de 2005

Retorno de Jedi


Hoje o sol apareceu de novo, depois de alguns dias tenebrosos (em todos os sentidos, né? Vide posts anteriores...). Ontem à noite soube de uma notícia boa, meu primo acordou sozinho do coma. Hoje, notícias melhores ainda, as reações dele estão tão boas que recebeu alta da UTI e está impaciente para sair do hospital, já comeu bem e sozinho, convenceu a enfermeira a comprar uma lata de Nescau para ele, pois não gosta de café com leite - e ela foi! - lembra de todo mundo e todos os fatos até a manhã do dia do acidente. Só tem dificuldades para registrar fatos recentes. Mas se o fato for repetido várias vezes em um dia, no dia seguinte ele já consegue lembrar.
O neurologista que o atendeu na chegada ao hospital abriu o jogo e falou que ele estar vivo é um milagre, pois nunca havia visto alguém chegar como ele e passar mais de 48 horas vivo; diz que a tal "pneumonia química", causada pela aspiração de vômito e sangue (retirados quimicamente no hospital) resseca os pulmões e a pessoa "vai a óbito". Graças a Deus não foi o caso, o moleque é forte e saudável MESMO. Um guerreiro, com certeza.
Parece que eu precisava ter a certeza da vida e da saúde dele para voltar à ativa pois, após receber a notícia, a sensação foi a de receber uma lufada de ar fresco depois de ficar um tempão confinada em um lugar escuro. E voltei a produzir, a me organizar, a trabalhar. Essa situação realmente me tocou, não imaginei que fosse tanto.
E para piorar tivemos uma frente fria aqui no sul, com direito a chuva e tudo. Adoro o inverno, mas em julho! No meio de um calorão, de repente chuva chata e jaqueta, decididamente atrapalha. Ainda mais quando o clima em casa é de preocupação.
Mas agora, tudo são flores! Meu humor deu um upgrade de econômica para executiva, o trabalho voltou a fluir, vou assistir o dvd d´Os Incríveis (que lançaram hoje e o Cau já garantiu o nosso, afoito como é...), estou de bem com família e amigos. Precisa mais?? Sorrisos a todos!


Maestro, qual é a música?
Pale Blue Eyes - Marisa Monte - Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão

Sometimes i feel so happy
Sometimes i feel so sad
Sometimes i feel so happy
But mostly you just make me mad
Baby you just make me mad

Linger on, your pale blue eyes
Linger on, your pale blue eyes

Though of you as my mountain top
Though of you as my peak
Though of you as everything
I've had but couldn't keep
I've had but couldn't keep

Skip a life completely, stuff it in a cup
She said money is like us in time
It lies but can't stand up
Down for you is up

It was good what we did yesterday
And i'd do it once again
The fact are you are married
Only proves you're my best friend
But it's truly, truly a sin

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Cataclisma


Que maré!
Tive um fim-de-semana muito estranho, muito diferente de todos os que me recordo. Novamente, família.
Na sexta-feira peguei carona com meu primo e a esposa dele para Criciúma, em SC. Meus tios completaram 30 anos de casados no sábado e uma festa foi organizada, fui representar meu lado da família. Faltando apenas uma hora de viagem (são 6 no total) recebemos um telefonema: meu outro tio, o caçula (meu pai é o mais velho e o de SC, o do meio) estava indo para lá com minha tia e meu primo de 17 anos e teve um acidente grave. Estavam em um hospital em Florianópolis. Sorte a deles ter sido perto de Floripa, pois contaram com hospitais melhores e uma prima cheia de iniciativa que mora lá. Fomos até Criciúma e de lá acompanhamos os fatos via Embratel. Preocupantes. O carro capotou, meu primo foi lançado para fora pelo vidro traseiro e estava (e ainda está) inconsciente desde então, agora em coma induzido e aguardando melhoras. Pelo menos o quadro é estável, já se passaram 48 horas e isso é positivo. Minha tia estourou o vidro da frente com a cabeça, que virou algo disforme, apesar de não ter quebrado nada. Passou por uma microcirurgia plástica e está estável, mas com muitas dores e hematomas e drenos na cabeça. Meu tio saiu com hematomas, mas já teve alta.
No sábado de manhã a festa foi cancelada, saímos de Criciúma em direção à Florianópolis e lá passei meu fim de sábado e parte do domingo. Visitei meu primo na UTI, foi... esquisito. Já estagiei em vários hospitais durante a faculdade, inclusive em UTI´s, mas obviamente como estagiária de psicologia dava prioridade a quem podia falar, não aos comatosos. Foi a primeira vez que me vi frente a um conhecido, pior!, meu primo caçula e por quem tenho um carinho especial, deitado inerte. A sensação ao vê-lo foi a de que caiu da bicicleta e estava dormindo. Sereno, com tubos na boca e saquinhos de soro por todos os lados, alguns arranhões na testa e nariz inchado. Só. Seus batimentos cardíacos aumentaram enquanto estivemos lá, o que pode indicar que percebeu nossa presença. Tomara. Seu estado ainda é considerado crítico, corre risco de vida.
Minha tia não consegui visitar, por problemas de horários conflitantes e ela estar em outro hospital. Pena.
Além disso houveram muitas conversas em família, muitos desabafos, sensações veladas vieram à tona... ainda não chorei, apesar da tristeza de imaginar o quadro emocional todo que se desenrola a partir de agora. A recuperação física e psicológica, principalmente, e como isso vai refletir na família.
Penso em minha avó, que mora com eles e acaba de sair do hospital, angustiada em saber notícias e poder olhar para todos, vivos e bem de saúde; na namorada do meu primo, estão juntos há uns bons dois anos, talvez mais, tão nova e já precisando se deparar com uma coisa grave destas, a possibilidade de perder o namorado de maneira tão cruel; em minha tia, que passou por uma deformação física e vai levar um tempo até voltar a se sentir bem consigo mesma, além da preocupação com o filho e não poder visitá-lo; do que deve estar se passando na cabeça do meu tio, sabendo que estava ao volante e vendo as consequências do que ocorreu; meus dois primos que ficaram em Curitiba e por um triz não perderam a família; enfim, são pontos de vista variados, tento calçar os sapatos de todos para conseguir entender o que estão sentindo.
Me senti um peixe fora d´água em vários momentos, apesar de estar em Floripa, minha terra natal querida. Mas sinto que foi importante eu ter estado lá, junto com eles, de alguma maneira a família toda se conectou através deste acidente.
Tô achando esse post pessoal demais, mas enfim... precisava escrever e reler tudo isso, quem sabe eu consigo processar melhor as informações.
Detalhe: eu deveria ter ido no carro com eles. Imagina a perna bamba quando soube do acidente. Faz pensar em muitas coisas, realmente. Hasta.


Maestro, qual é a música?
Rosamunde, Op.26, D.797:Intermezzo - Franz Schubert - Meditation: Classical
Relaxation vol.4