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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Da Importância de se ter um Círculo de Confiança

Vida de mãe com filho pequeno é uma coisa confusa, complexa.
Com dois ou mais, então!
Por aqui as coisas mudaram muito depois das crianças. Os tempos são outros, se sair de casa era calçar o sapato, pegar a bolsa, a chave e ir, com os cabelos ao vento, com crianças tudo demora o triplo.
A criança dorme. A mãe espera, pondo roupas na máquina, lavando a louça, procurando os benditos exames de sangue que a criança resolveu esconder no dia anterior. A criança acorda, demora pra comer e beber. A mãe arruma a criança, na hora de ir pro carro ela precisa ir ao banheiro ou encheu as fraldas. Sorte quando não vaza, senão vai mais um tempo para trocar tudo de novo.
A mãe separa a garrafa d'água, o biscoito, a troca de fraldas e roupa, o brinquedo.
"Todo mundo pro carro, vamos, vamos!"
Aí um entra e se joga no porta-malas, achando muito engraçado. A outra começa a correr em volta do carro, "fugindo da mamãe" às gargalhadas. 
Aí voltam correndo pra dentro de casa, "esqueci meu Omnitrix/Buzz Lightyear/livro/nenê". 
E a pediatra esperando. E o portão da escola fechando. E o almoço na casa da tia esfriando. E. 
E.
E...
E os cabelos com certeza não estão ao vento, a mamãe mal e mal consegue tomar um banho que lave bem todas as partes, quem dirá grandes cuidados estéticos.
E por aí transcorre o dia. Os dias. Os meses. Os anos.
E quem entende essa mulher?
Outras mães.
Porque quando a gente encara essa rotina, precisa haver um apoio psicológico/emocional/familiar. Ou essa pessoa se perde no limbo insano da maternidade. E pode ser feio. Irreversível.
Porque é uma via de duas mãos. São mulheres facilmente irritáveis, parece que o pavio aceso pra chegar na carga de dinamite está sempre há 5 cm do fim. Mas se derretem de verdade quando seus pequenos dizem que as amam, quando contam coisinhas das suas vidas, quando caem e chorando, a primeira coisa de sai da boca é "mãmáááiiii!!". Pois ali se estabelece que "confio em você pra crescer saudável e com nenhuma parte faltando, humana".
Não é para todas. Ou todos, pois existem aqueles pais que curtem assumir "com força" essa pa(ma)ternidade. Quem tem consciência dos seus limites e entende que é melhor ser mãe inteira e feliz por uma hora diária do que uma pessoa agressiva e vassourada por 16, tem que ir fundo, super apóio também. Cada um sabe de si e do que melhor lhe calça nos pés, certo?
Não julgo, não questiono, não recrimino. Sou humana, claro, e quando a situação é de abandono total, me permito refletir. De resto, contanto que as crianças estejam bem, tá valendo.
Mas como me incluo lá no começo do texto, percebi ao longo do tempo da importância dessa pessoa cuidadora ter também seu grupo de apoio. Amigas.
Dei sorte nessa vida, tenho uns bons punhados de mulheres que se incluem nessa categoria. E são de verdade, daquelas que a gente pode brincar sem se ofender, se ver depois de meses/anos e conversar como se o último encontro tivesse ocorrido na semana passada.
Mas próxima dos 40, é natural que as amigas estejam em fases diferentes de vida. Pra uma os filhos já cresceram, pra outra nunca vieram. Pra uma o trabalho tá bombando, pra outra ele ficou lá pra trás. Uma tá no primeiro amor, a outra no oitavo.
Como conciliar?
Jogo de cintura pra matar as saudades. Escapadelas, grupinho fechado num canto na festinha de aniversário de algum dos filhos. Mas e as questões urgentes, as fases infantis que nos deixam desconcertadas? Novas amigas.
De novo, dei sorte. Escolhi uma pré escola com valores bacanas, e me identifiquei com as mães do novo grupo social do pequeno. Win-win situation. Os encontros são rápidos, porém diários, as dúvidas são resolvidas na hora, o peito desafoga a angústia da solidão barulhenta da maternidade.
E como isso torna mais leve a jornada!
Então esse texto cabe aí, no setor de agradecimentos. A todas aquelas que fazem minha vida mais alegre e colorida, incluindo aí meus sobrinhos tortos, que já são muitos, e seus companheiros, que nos fazem parar constantemente pra refletir e agradecer sempre por termos nascido mulheres ;)



sexta-feira, 29 de março de 2013

Réquiem

Essa semana cortaram o pinheiro aqui do quintal de casa. Motivo para escrever sobre isso: não era apenas um pinheiro. Era um pinheiro do Paraná, uma araucaria angustifolia, uma árvore símbolo dessa terra que habito. 


Foram meses de idas à prefeitura, vistorias, etc, até concordarem que a bichinha oferecia riscos e autorizarem o corte. Caso não haja essa autorização, a multa pelo corte ilegal ultrapassa os R$3.000,00. Não era o caso aqui, o de querer pagar multa.
Primeira boa notícia, o custo do corte fica por conta do requerente. Orçamentos girando até a soma de R$1.800, pelos bombeiros, mas optamos por um cortador particular que fez o serviço por R$800,00. Segunda boa notícia, nos entregaram a autorização (aceita em fins de janeiro) lá pelo fim de fevereiro, com validade até meados de julho. Detalhe: nos meses de abril, maio e junho está proibido o corte de árvores na cidade. E quando chove eles não podem escalar a árvore, pois fica muito lisa. Ieii. Isso nos deu um super tempo para nos organizarmos.
Enfim, tudo rolou, mas deixando burocracias (e informações úteis, pois alguém que me leia pode ter o mesmo problema) de lado, o dia em si foi intenso. Como é doído assassinar um ser sadio.
Sim, porque a pobre araucária ficava num pequeno canteiro, suas raízes já quebraram a calçada mais de uma vez, ela estava a poucos metros de um poste de luz e de muita fiação, em vendavais ela balançava em direção ao meu quarto, entupia as calhas e tudo mais com sapé seco, soltava galhos de sapé verdes, pesados e espinhentos, me impedindo de deixar as crianças brincarem à vontade lá fora. Mas era um senhor que ainda gozava de muita saúde, imponente, sem fungos, "gordão, fortão". Aí um mocinho de uns 25 e poucos anos escalou aqueles 20 metros rapidamente e em torno de 5 horas, o que havia não há mais. Cortava pedaços de 50 cm e soltava lá de cima, e dentro de casa meu coração tremia a cada queda. 
Olhei pela janela do quarto e do outro lado da rua estava o vizinho, de uns 90 anos, apoiado no seu andador. Olhos vagos e tristes, afinal foi ele quem plantou o bendito pinheiro sabe-se lá em que momento da sua vida, quando tudo isso aqui ainda era a fazenda em que a família dele morava. Impossível não pensar no que se passava naquela cabecinha branca durante o processo.
E meus pequenos? Agitadíssimos, trancados dentro de casa, reagindo com irritação e instinto àquela morte brusca e ao barulho da motoserra.

Digamos que esse dia coroou uma semana pesada, lotada, cansativa, desgastante. Nada específico, mas uma montoeira de "cotidianices" tão comuns hoje em dia.
Que essa Páscoa realmente traga renascimento, novos ares, um alívio mental.
E se possível, um bom tantinho de chocolates, pra adoçar a vida. ;)
Bom feriado!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Enquanto isso...


E veio outubro, e outubro se foi, e novembro segue o mesmo ritmo. Quantas atividades, quantos aniversários, quantas energias pulsando alto por todo lado! Há semanas meses não consigo uma tarde pra ficar em casa. E nem é jogada na cama vendo sessão da tarde, imagina! Seria pra conseguir fazer andar algum dos meus projetos housewife-style: arrumar meu canto do computador e papéis, dar um trato nas minhas plantas, abrir gavetas e sacolas e selecionar o que se salva e o que irá pra doação e reciclagem, essas coisas. Por um lado parece que o tempo parou e certas esperas angustiantes se arrastam pelos dias. Por outro, o relógio anda funcionando ao cubo em termos de rapidez e fica a sensação de impotência dos assuntos não resolvidos.
E a tal energia no ar, essa tá quase palpável. Densa, agressiva, pinicante. O calor dantesco só contribui, as pessoas parecem formigas (falando nelas, voltaram em peso pra minha cozinha) andando de um lado pra outro, dirigindo mal, sendo mal-educadas umas com as outras.
A proximidade do fim de ano também chicoteia todo mundo. "Corra, faça, termine, resolva, se apresse!" Gente!! Pára tudo! Tá, mês que vem é dezembro. E? O seguinte é janeiro, e tudo recomeça. Mesmos empregos, mesmos horários, uma ou outra alteração incluída.
Tenho feito um esforço sobre humano pra desacelerar e reaprender a relaxar. Parar quando extrapolo os limites, de preferência antes disso. Ter prazer nas pequenas atividades, voltar a me divertir com pouco.
Esse negócio de maternidade é sério mesmo, hein? Caramba, que bagunça hormonal e quanta energia gasta pra se reequilibrar depois! Recomendo muito, mas só pra quem está com uns parafusos meio soltos no momento, pra não pensar demais. No andar da carruagem, tudo se conserta, tudo se encaixa.
Mas "a nível de pessoa humana", as coisas vão bem. Tosei a cabeleira como há anos não fazia, e estou bem contente com o resultado. Mais leve, mais prático, mais menina. Família, marido, Theo, profissão, amigos: todos encaixados. Só preciso ajustar alguns fusíveis que a coisa fica redondinha.

Hasta. Se o Universo colaborar, volto logo.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Update básico


Viajei! Fui para a praia, voltei ontem. Bom, um pouco de descanso e parcial silêncio, afinal meu sobrinho falador matraqueiro não parou de tagarelar. Mas eu adoro.
Ruim foi ficar com poucas notícias sobre o acidente da Tam, lá na praia só temos uma tv 14" com imagem que deixa muito a desejar, e o ponto alto do dia é assistir ao Jornal Nacional. Urgh.
Uma vez tripulante de carteira assinada, sempre tripulante de alma. O rodízio de funcionários de uma companhia para outra é intenso, então a gente nunca sabe com certeza onde estão os antigos colegas de vôo. E é inevitável que alguém conhecido "se vá", seja parente ou amigo de amigos. No caso, já estive na tripulação deste comandante da Tam quando ele era da Transbrasil, assim como com o cmte. do vôo da Gol do acidente do ano passado. Pessoas queridas, do bem e competentes.
E lembrei dos meus últimos meses na Tba, já bem estafada e estressada pelas péssimas condições de vôo, sem salário e diárias, quando dizia aos amigos "saindo daqui, sou capaz de ir em lombo de jegue até o Nordeste, mas demora para eu entrar em avião de novo". Claro que não era a intenção real, mas hoje em dia, está se tornando. De navio para a Europa, de carro pela América do Sul, de... bom, de nada para os Estados Unidos, não tenho intenções de ir para lá tão cedo.
Mas a sensação de estranheza física e pinicante foi o tom dominante da semana.
Outra hora confabulo mais.
Sem música hoje.

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Cataclisma


Que maré!
Tive um fim-de-semana muito estranho, muito diferente de todos os que me recordo. Novamente, família.
Na sexta-feira peguei carona com meu primo e a esposa dele para Criciúma, em SC. Meus tios completaram 30 anos de casados no sábado e uma festa foi organizada, fui representar meu lado da família. Faltando apenas uma hora de viagem (são 6 no total) recebemos um telefonema: meu outro tio, o caçula (meu pai é o mais velho e o de SC, o do meio) estava indo para lá com minha tia e meu primo de 17 anos e teve um acidente grave. Estavam em um hospital em Florianópolis. Sorte a deles ter sido perto de Floripa, pois contaram com hospitais melhores e uma prima cheia de iniciativa que mora lá. Fomos até Criciúma e de lá acompanhamos os fatos via Embratel. Preocupantes. O carro capotou, meu primo foi lançado para fora pelo vidro traseiro e estava (e ainda está) inconsciente desde então, agora em coma induzido e aguardando melhoras. Pelo menos o quadro é estável, já se passaram 48 horas e isso é positivo. Minha tia estourou o vidro da frente com a cabeça, que virou algo disforme, apesar de não ter quebrado nada. Passou por uma microcirurgia plástica e está estável, mas com muitas dores e hematomas e drenos na cabeça. Meu tio saiu com hematomas, mas já teve alta.
No sábado de manhã a festa foi cancelada, saímos de Criciúma em direção à Florianópolis e lá passei meu fim de sábado e parte do domingo. Visitei meu primo na UTI, foi... esquisito. Já estagiei em vários hospitais durante a faculdade, inclusive em UTI´s, mas obviamente como estagiária de psicologia dava prioridade a quem podia falar, não aos comatosos. Foi a primeira vez que me vi frente a um conhecido, pior!, meu primo caçula e por quem tenho um carinho especial, deitado inerte. A sensação ao vê-lo foi a de que caiu da bicicleta e estava dormindo. Sereno, com tubos na boca e saquinhos de soro por todos os lados, alguns arranhões na testa e nariz inchado. Só. Seus batimentos cardíacos aumentaram enquanto estivemos lá, o que pode indicar que percebeu nossa presença. Tomara. Seu estado ainda é considerado crítico, corre risco de vida.
Minha tia não consegui visitar, por problemas de horários conflitantes e ela estar em outro hospital. Pena.
Além disso houveram muitas conversas em família, muitos desabafos, sensações veladas vieram à tona... ainda não chorei, apesar da tristeza de imaginar o quadro emocional todo que se desenrola a partir de agora. A recuperação física e psicológica, principalmente, e como isso vai refletir na família.
Penso em minha avó, que mora com eles e acaba de sair do hospital, angustiada em saber notícias e poder olhar para todos, vivos e bem de saúde; na namorada do meu primo, estão juntos há uns bons dois anos, talvez mais, tão nova e já precisando se deparar com uma coisa grave destas, a possibilidade de perder o namorado de maneira tão cruel; em minha tia, que passou por uma deformação física e vai levar um tempo até voltar a se sentir bem consigo mesma, além da preocupação com o filho e não poder visitá-lo; do que deve estar se passando na cabeça do meu tio, sabendo que estava ao volante e vendo as consequências do que ocorreu; meus dois primos que ficaram em Curitiba e por um triz não perderam a família; enfim, são pontos de vista variados, tento calçar os sapatos de todos para conseguir entender o que estão sentindo.
Me senti um peixe fora d´água em vários momentos, apesar de estar em Floripa, minha terra natal querida. Mas sinto que foi importante eu ter estado lá, junto com eles, de alguma maneira a família toda se conectou através deste acidente.
Tô achando esse post pessoal demais, mas enfim... precisava escrever e reler tudo isso, quem sabe eu consigo processar melhor as informações.
Detalhe: eu deveria ter ido no carro com eles. Imagina a perna bamba quando soube do acidente. Faz pensar em muitas coisas, realmente. Hasta.


Maestro, qual é a música?
Rosamunde, Op.26, D.797:Intermezzo - Franz Schubert - Meditation: Classical
Relaxation vol.4