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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Da Importância de se ter um Círculo de Confiança

Vida de mãe com filho pequeno é uma coisa confusa, complexa.
Com dois ou mais, então!
Por aqui as coisas mudaram muito depois das crianças. Os tempos são outros, se sair de casa era calçar o sapato, pegar a bolsa, a chave e ir, com os cabelos ao vento, com crianças tudo demora o triplo.
A criança dorme. A mãe espera, pondo roupas na máquina, lavando a louça, procurando os benditos exames de sangue que a criança resolveu esconder no dia anterior. A criança acorda, demora pra comer e beber. A mãe arruma a criança, na hora de ir pro carro ela precisa ir ao banheiro ou encheu as fraldas. Sorte quando não vaza, senão vai mais um tempo para trocar tudo de novo.
A mãe separa a garrafa d'água, o biscoito, a troca de fraldas e roupa, o brinquedo.
"Todo mundo pro carro, vamos, vamos!"
Aí um entra e se joga no porta-malas, achando muito engraçado. A outra começa a correr em volta do carro, "fugindo da mamãe" às gargalhadas. 
Aí voltam correndo pra dentro de casa, "esqueci meu Omnitrix/Buzz Lightyear/livro/nenê". 
E a pediatra esperando. E o portão da escola fechando. E o almoço na casa da tia esfriando. E. 
E.
E...
E os cabelos com certeza não estão ao vento, a mamãe mal e mal consegue tomar um banho que lave bem todas as partes, quem dirá grandes cuidados estéticos.
E por aí transcorre o dia. Os dias. Os meses. Os anos.
E quem entende essa mulher?
Outras mães.
Porque quando a gente encara essa rotina, precisa haver um apoio psicológico/emocional/familiar. Ou essa pessoa se perde no limbo insano da maternidade. E pode ser feio. Irreversível.
Porque é uma via de duas mãos. São mulheres facilmente irritáveis, parece que o pavio aceso pra chegar na carga de dinamite está sempre há 5 cm do fim. Mas se derretem de verdade quando seus pequenos dizem que as amam, quando contam coisinhas das suas vidas, quando caem e chorando, a primeira coisa de sai da boca é "mãmáááiiii!!". Pois ali se estabelece que "confio em você pra crescer saudável e com nenhuma parte faltando, humana".
Não é para todas. Ou todos, pois existem aqueles pais que curtem assumir "com força" essa pa(ma)ternidade. Quem tem consciência dos seus limites e entende que é melhor ser mãe inteira e feliz por uma hora diária do que uma pessoa agressiva e vassourada por 16, tem que ir fundo, super apóio também. Cada um sabe de si e do que melhor lhe calça nos pés, certo?
Não julgo, não questiono, não recrimino. Sou humana, claro, e quando a situação é de abandono total, me permito refletir. De resto, contanto que as crianças estejam bem, tá valendo.
Mas como me incluo lá no começo do texto, percebi ao longo do tempo da importância dessa pessoa cuidadora ter também seu grupo de apoio. Amigas.
Dei sorte nessa vida, tenho uns bons punhados de mulheres que se incluem nessa categoria. E são de verdade, daquelas que a gente pode brincar sem se ofender, se ver depois de meses/anos e conversar como se o último encontro tivesse ocorrido na semana passada.
Mas próxima dos 40, é natural que as amigas estejam em fases diferentes de vida. Pra uma os filhos já cresceram, pra outra nunca vieram. Pra uma o trabalho tá bombando, pra outra ele ficou lá pra trás. Uma tá no primeiro amor, a outra no oitavo.
Como conciliar?
Jogo de cintura pra matar as saudades. Escapadelas, grupinho fechado num canto na festinha de aniversário de algum dos filhos. Mas e as questões urgentes, as fases infantis que nos deixam desconcertadas? Novas amigas.
De novo, dei sorte. Escolhi uma pré escola com valores bacanas, e me identifiquei com as mães do novo grupo social do pequeno. Win-win situation. Os encontros são rápidos, porém diários, as dúvidas são resolvidas na hora, o peito desafoga a angústia da solidão barulhenta da maternidade.
E como isso torna mais leve a jornada!
Então esse texto cabe aí, no setor de agradecimentos. A todas aquelas que fazem minha vida mais alegre e colorida, incluindo aí meus sobrinhos tortos, que já são muitos, e seus companheiros, que nos fazem parar constantemente pra refletir e agradecer sempre por termos nascido mulheres ;)



segunda-feira, 18 de março de 2013

Just Another Cloudy Day

Será que eu ainda sei escrever? Idéias, digo, por que essa nova ortografia, me poupe. Acho que serei como meu falecido avô, que foi à pharmácia até o fim da vida. E eu me recuso a comer pizza de "muçarela", me daria indigestão. Já uma de muzzarela, essa cai bem.

Devaneios, devaneios.

Agora, além de não escrever, também não tenho conseguido acompanhar meus blogs do coração. E oh, God, como isso me faz falta. Hoje abri um deles num momento roubado do meu dia (sabem como? Escondida de mim mesma, pois devia estar fazendo outras coisas?). O escolhido foi o Brincando de Casinha. Ai, que feliz. A Mari escreve fácil, leve, bom de querer saber se tem mais pra saciar a vontade. E que delícia, como eu não entrava lá faz tempo, tinha bastante coisa pra me entreter.
Aí que levantei inspirada após a leitura, com vontade de arrumar minha casa, ver coisas bonitas em volta e não só brinquedos, roupas, sapatos e tudo o mais espalhados por tôdos os cômodos à minha volta.

Hoje mini surtei, minha fiel escudeira das quartas feiras não veio essa semana e só assim a gente percebe como uma boa faxina semanal faz TODA a diferença numa casa. Entonces que passei a semana fazendo coisas fora de casa, o fato dela não ter vindo passou meio batido. Porém hoje, domingão, dia em casa, a realidade me dominou e me vi envolta em tentáculos sufocantes de bagunça, sujeira e "todo mundo com preguiça". Só eu não podendo me dar ao tal luxo da preguiça. Receita certa para ataques psicóticos em humanos até então sob controle.

Prazer, Nazaré. Qual sua graça?

Alguns gritos e afins depois, vejo a sala em quase harmonia, a cozinha novamente com o piso branco e toda a louça limpa, muita roupa lavada e pasmem!, até o quarto de brinquedos das crianças arrumado. Valeu mãe, que pôs o Theo pra trabalhar.

Mas esses momentos são importantes.
Com a mente mais limpa pós-surto, comecei a vislumbrar a cor que quero no meu quarto, a prateleira que vai na parede da sala, as roupas que vão embora do guarda-roupa, os livros ainda não lidos em destaque na estante, enfim, passos à frente em vez dos usuais passinhos laterais de caranguejo da canceriana enrolada aqui. Gente, como crianças bagunçam uma vida adulta.

Complicado com eles, impossível imaginar a vida sem eles. Minhas delícias.

Creio que esse será um blog com muita atividade produtiva/criativa sobre assuntos da terceira idade, porque estarei vivendo isso quando puder produzir criativamente com a frequência desejada ;)

Apesar da quase exaustão diária, estou feliz. Então tudo vale a pena. Até logo!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Vagos pensamentos

"Eu podia tá roubando, eu podia tá matando", mas na verdade mesmo eu devia estar dormindo. 5 pra uma da manhã e resolvo começar a escrever???
Os pequenos dormem profundamente.  Vou aproveitar que o sono não me dominou por completo.
Minha teoria do último (e empoeirado, cof, cof!) post, aquela onde eu dizia que seria organizada e teria rotina, sabem? Pois é. Ainda não funcionou.
Mudei de consultório em julho. Pagava demais no centro da cidade para usar de menos. Como percebe-se, não quero abrir mão da profissão, mas também não é o momento de sair por aí fazendo palestras e folders e angariar novos pacientes. Casa, ninho, crianças pequenas. Depois mudo o foco.
Então comecei a atender minhas pacientes queridas, que não se importam com meus eventuais atrasos e mamadas fora de hora, num local muito especial, que pra minha sorte fica embaixo do apto dos meus pais. O ruim é que fica do ooooutro lado da cidade. Ir até lá implica em almoçar correndo em casa ou almoçar na minha mãe, pós escola do Theo (que acaba 12:15, soma trânsito, danou-se almoço na horinha certa da fome dele). Já começa a confusão. Aí ele não dorme de tarde, porque fica alvoroçado com o primo, a avó, as pessoas queridas dele que transitam por lá. 
Lara, que tem altas tendências pra ser arroz de festa, curte muito os paparicos, passa a tarde com biscoitos na boca, não dorme tudo que precisa. E a vinda pra casa de noitinha é longa o suficiente para que durmam e curta demais para que seja todo o sono que precisam. Chegam em casa acordando ao sair do carro, aos berros, irritados, é um parto de elefante fazer todo mundo sossegar (eu inclusa), fazer com que jantem, tomem banho, as noites invariavelmente são minhas a partir das... 23:00. Pra comer, tomar banho, lavar louça, verificar extratos e pagamentos, separar roupas limpas de sujas, ler, ver tv... e ter que acordar 7:00 pra arrumar o Theo pra escola.
"Donde que" acabo não fazendo metade e o blog, esse que me faz tanta falta, fica só na lembrança de tempos áureos onde minha vida era só minha.
Fique claro que não dou, não vendo e não troco esse meu mundinho caótico. É bagunçado, mas é meu, e eu amo muito tudo isso  ;)
Mas alguns desses dias me pego com a faca na mão, cotovelo apoiado no avental e o pensamento lá longe. Invejando Dona Benta, que tem tia Anastácia a postos na cozinha fazendo delícias. Ou varrendo pela terceira vez a trilha de comidinhas que a Lara vai soltando (pra não se perder no caminho de volta, penso eu?) e sonhando com o dia em que a Rose não será apenas a empregada dos Jetsons, mas uma realidade. Torcendo para que chegue logo o dia em que essas crianças aprendam a se limpar sozinhas depois do cocô. Mentalizando boas vibrações para o marido chegar bem humorado em casa e pelo menos lavar a louça empilhada na pia.
Assim, devaneios. Não paga nada por isso, né Arnaldo?
Vou começar a procurar sorteios onde o prêmio seja "spa". Spa day, spa week, massagens de nomes bizarros, pedras quentes na coluna, águas termais, etc. Vai que ganho algum desses? Mas vai ser prêmio mesmo se for só pra uma pessoa, hehehe... e no máximo dois dias, senão eu me desmonto de saudade.

Não viaja, Uli. E vai dormir, que amanhã você vai se arrepender de ter vindo aqui.

-Falou a voz da consciência. Eu obedeço.
Boa noite.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Uma mãe animal", com muitas confusões e trapalhadas

Que rufem os tambores, preciso dividir esse momento: é quinta feira, são 4 e pouco da tarde, chove muito lá fora e estou - tchãrãnnn - com tempo livre!!!!!!!
Theo e Lara dormem aqui perto, cada um na sua soneca profunda da tarde. Tenho planilhas pra atualizar, roupas pra passar, armários pra organizar, mas decidi que... não. Simples assim. Hoje, não. My very own personal holiday.
Tenho pensado muito na missão que é a maternidade. O Theo frequenta uma pré-escola antroposófica, de pedagogia waldorf. As reuniões de pais, as conversas da saída da escola com as professoras e outras mães, o grupo de trabalhos manuais das mães que tenho feito parte às quartas feiras, tudo isso vem acendendo várias luzes no meu cérebro. Por que alguém coloca mais dois seres humanos no mundo nos dias de hoje?
A gente procura viver da maneira que considera a mais correta, certo? Seja seguindo os próprios valores, que vieram da família de origem, seja pra ficar bem aos olhos do nosso meio social, praqueles que estão sempre procurando o fio da meada.

Qualquer semelhança com minhas olheiras não é mera coincidência.
Procuro ser a melhor mãe que eu consigo. Como disse um pai na reunião da escola essa semana, "o que importa é a maneira com que vc diz o não para a criança. Se tiver culpa, danou-se. Se tiver raiva, a criança vai sentir. E isso tem que ser trabalhado dentro da gente, porque sim, às vezes dá uma raiva tão grande daquela pequena pessoa na sua frente te desafiando, e vc tem que ser o adulto da relação". Meus dias têm sido de desenvolvimento do auto controle nível ten plus mega combo.
Ontem a Lara, aos 6 meses, começou a se arrastar. Acabaram-se os dias de simplesmente deixá-la deitadinha no tapete de EVA cercada de brinquedos, a partir desse momento preciso reativar meus olhos da nuca, do couro cabeludo e acima das orelhas, porque com certeza ela vai se meter onde não deve. E o Theo, do alto dos seus 3 anos e 7 meses, está naquele dilema do "cresço e perco de vez meu posto de neném ou imito a Lara, já que todos acham tudo que ela faz tão fofo?". E entrei numa semana de impor meu papel de rainha, e ele como nobre e honrado cavaleiro me deve respeito sem questionar os porquês.
Aí existe a linha tênue entre não questionar as regras básicas de uma casa e da sociedade, mas sim, questionar o mundo sobre todas as curiosidades que tiver. E conseguir deixar isso claro pra uma criança pequena desgasta um ser humano, vou te contar. Hoje é quinta e tivemos 3 almoços só essa semana que acabaram na hora do jantar. " Você não levanta dessa cadeira enquanto tiver comida nesse prato". Choro, vela, fita amarela, barganhas, um menino dormindo encolhido na cadeira a sua soneca da tarde, passamos por tudo isso. Mas hoje ao receber o prato a colher foi naturalmente para as mãos em vez do "eu quero que você me dê!"
O difícil é ser forte, não sorrir nem chorar e manter a firmeza na voz, não voltar atrás depois que o impasse se instala. 
Hoje minha vida são essas crianças. Quando leio artigos e reportagens, quando converso com mulheres (mães ou não), é uma constante a idéia de que eu "não posso esquecer de mim". Que preciso ter um jantar romântico com o marido uma vez por semana, que preciso ter tempo para academia, que meu trabalho não deve ser renegado, que minha vida social precisa existir, que meus cabelos e unhas precisam estar sempre bem cuidados.
Então... até acho simpáticas essas idéias. Mas não. Tá, tá, não quero virar aquela mulher de rabo de cavalo torto, moletom sempre cheio de manchas de baba e comida e que não sabe falar de nada além dos filhos. É muito fácil ir por esse caminho. Mas ontem, conversando com minha mãe, acessei muitas memórias e ela ou meu pai SEMPRE estiveram lá. Ali. Perto.
Levei broncas, ganhei colo, tive ajuda pra fazer lição de casa, tudo que eu perguntava um dos dois sabia responder, minha casa cheirava bem, minhas roupas eram bem cuidadas, eu tinha uma boa educação (em casa e na escola), tinha lazer, tinha atividades extra curriculares. Isso com mais dois irmãos e um orçamento geralmente apertado.
Meus pequenos vão crescer (estão crescendo!!) muito rápido. Fui adolescente até outro dia, e sei que adolescentes querem os amigos mais do que os pais. Mas eu sempre quis meus pais perto, mesmo que passasse os dias com os amigos. Eram meus pais, não meus "BFF"s confidentes. E gostaria de ser esse porto seguro pro Theo e pra Lara. Que tenham seu amigos pra fazer suas confidências e aventuras, mas que se sintam à vontade pra compartilhar seus sentimentos comigo. E a hora de plantar isso é agora, quando estou atenta às suas necessidades, suas pequenas descobertas, seus treinos para serem humanos.
Como isso exige dedicação e tempo ( e agora são dois, cada um merecendo um tempo a sós com mamãe), tive que priorizar um bom tanto de coisas e deletar ou mandar pro depósito outro tanto. Como sinto falta de ler! Acabar com um livro em poucos dias, me deliciar com a história. Voltar a fazer cursos, nadar, fazer yoga... mas, sempre, a chave está no equilíbrio. Aos poucos o sono entra nos eixos, eles crescem e me ajudam mais, o tempo pro trabalho aumenta, de repente dá até pra postar no blog em plena luz do dia ;o)
O segredo é ter organização, estabelecer uma rotina e segui-la o mais fielmente possível e aceitar. Aceitar que não vai poder ir no aniversário da amiga na balada, que para ir no cinema é necessário organizar uma cansativa força-tarefa, que se conseguir fazer as unhas a cada 30 ou 40 dias, está no lucro. Que a escolha daquele homem pra ser o pai dos seus filhos tenha sido um momento inspirado e ele entenda que ou os dois assumem os remos do barco ou este vai ficar girando no mesmo lugar.
E que tudo vale a pena quando vc ganha um sorriso banguela ou um "eu te amo, mamãe", pelo simples fato de existir.
E o Theo acordou. Durou pouco, meu feriado ;op
xoxo,
Gossip Girl.


ps: BFF = best friend forever. Soooo teenager style.

UPDATE = enquanto eu escrevia isso, a amiga Camila Voigt perguntava no Facebook minha opinião sobre esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7ni0NwhNhD8 . Sincronicidade? Recomendo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O caos e a escuridão. E a luz no fim do túnel.

Voltei.
Arrependida de ter reclamado tanto dos sintomas da gravidez, quisera eu que nesses últimos dias meus únicos transtornos tivessem sido azia, dores ocasionais, inchaços.
Vamos lá: minha bota ortopédica deveria ter ficado no pé por duas semanas, ficou um mês. Sem dirigir, mancando, pesada. Lado bom: em vez de carro, usei táxi e ônibus pra ir ao consultório atender, ao dentista, etc. Me forcei a caminhar e saí um pouco do sedentarismo. Lado ruim: andei por aí de bota ortopédica. Quem disse que barrigão e bota são garantia de lugar no ônibus? Ô gentinha mal-educada, por Deus!!
Bueno, há duas semanas mudamos de casa. É. E estou no fim da 37a. semana de gravidez. Mas foi assim que pôde ser, aos 48 do segundo tempo. Irmão, cunhada e sobrinho amados foram de mudança pra SC e começamos a trazer as coisas pra casa que eles moravam e agora é nossa home sweet home no mesmo dia. Marido teimoso quis fazer o estilo "sou da Granero" e passou uma semana de mula de carga, baixou os bancos do carro e até a geladeira ele trouxe. Imaginem o stress, dele e o que ele espalhou em volta. Mas deu certo, sem grandes avarias.
Dica: se for fazer mudança grávida, faça com a barriga beeem grande. Isso comove as pessoas e a ajuda vem "de turma", menos de 15 dias e tá tudo praticamente no lugar!!

(Pausa para os agradecimentos aos familiares e amigos queridos:
Minha mãe continua sendo a melhor do planeta, organizando minha cabeça enquanto sugere usos, praticidades e lugares para as coisas (e mega põe a mão na massa). Meu pai com sua furadeira e boa vontade de carregador trazendo coisas pra lá e pra cá, Nega e Lu literalmente embalando, carregando e limpando as coisas, Jorge e Lia no backstage da infra-estrutura, fazendo diferença, lavando, pintando; Tathi, que espontaneamente se ofereceu pra pintar a decoração  do quartinho da Lara (e tá ficando todo fofo). Madi querida, sempre com um almoço na mesa e prestativa pra cuidar do Theo, além de ajudar no que eu preciso, na hora que eu preciso. Fora os amigos que dão bobeira de bater a campainha pra ver como a gente está e entram na dança, "pega aquela caixa ali, coloca isso aqui", etc, nossos muito obrigados.
E claro, ao meu Cau querido, que está vencendo todos seus temores, orgulhos e preconceitos e realmente me ajudando a fazer dessa nova casa nosso lar, uma casa de família e não uma república de estudantes.)

Então, 3  noites na casa nova e Theo passou mal à noite. Dois dias enrolando com própolis, repouso, mas o menino sem apetite e cabisbaixo começou a preocupar. Hospital e o resultado: pneumonia. Theo uma semana em casa, 4 inalações por dia, antibiótico e tudo voltou ao normal.

Peraí: o que teve de normal até agora??

Continuemos.
Pedi ao meu sogro que pintasse a cômoda e o berço do Theo pra dar uma "refrescada" nos móveis na hora da Lara herdá-los. Pois o homem arranjou montes de trabalho justo agora? Nono mês de gravidez e nada do berço no quarto ainda. Ai, ai...
Fora a entrega do apartamento, nossa grana foi priorizada pra entrar na casa nova, mas 10 anos morando de aluguel meio que deterioram "um tanto" um apartamento, e nossa última semana foi insana dando um jeito "artesanal" no bichinho antes da vistoria. Dá-lhe coluna e paciência.
E, claro, nesse mês venceu meu passaporte austríaco e tive que correr renová-lo, venceu nosso seguro do carro, mudou a administradora de condomínio do apartamento e a nova ainda não se afinou com a síndica, não sabem onde estão comprovantes e outras coisas importantes para que eu possa entregar o imóvel, tenho que cadastrar meu título de eleitor pra ontem, porque depois que ela nascer esse assunto com certeza sai da minha pauta de prioridades e sou capaz de perder o prazo, preciso ver o que ainda falta do enxoval da Lara e não tenho mais foco pra isso, não fiz minha mala da maternidade, Theo anda tendo crises de ciúme da irmã e tenho que prepará-lo para dormir duas noites na vovó enquanto estivermos no hospital, meu notebook (Positivo, boo-hoo! Fora, enganação!) resolveu que nessa casa ele não se conectará à internet, queimou o motor do portão da casa e roubaram o carro do serralheiro com o portão e o motor novo que encomendamos, e... ah, chega. Essa foi a parte do caos e escuridão. Precisava dividir, nem que fosse com o mundo.

E com tudo isso, ontem fiz ecografia e a pequena está linda lá dentro, já com 3 kg e 48 cm de gostosura e toda curtindo seus drinks de líquido amniótico. A barriga já deu uma boa baixada, aí como, me movimento e durmo melhor. Nas duas últimas noites fiz xixi tarde, na hora de dormir, e só acordei 6 e pouco da manhã pra fazer outro. Chego a dormir 5, 6 horas por dia, um recorde para essa gravidez.
É isso. Segunda faço meu primeiro exame de toque e avaliaremos marromenos quando Lara deve chegar.
E essa é a parte da luz no fim do túnel. ;o)
Se minha sanidade mental permitir, ainda volto antes do parto. Senão, hasta la vista. Foi bom estar com vocês.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Benzadeus

São 21:57. Theo está há 5 horas choramingando nos meus ouvidos. 5 horas.
Estamos em treinamento pra ele comer sozinho, apesar de fofo e companheiro pra muita coisa, insiste em ser dependente nas coisas básicas. E peoples, ele faz 3 anos em menos de duas semanas. E peoples, eu terei uma bebê pra me ocupar em 6 a 8 semanas. Mais que na hora, né? Não rola dar todas as refeições na boca, não rola levantar a cueca depois de cada xixi... não rola.
Tem sido uma semana intensa, essa. Faz 15 minutos que ele acabou de comer o prato... do almoço. Brigamos na hora do almoço, dormiu, brigamos nas últimas 5 horas. Tudo complicou porque decidi lavar as roupinhas da Lara, aí o caldo entornou. Enquanto ela mora só na minha barriga e não incomoda, tá tudo lindo, "quero muito minha irmã". A partir do momento que as coisas dela apareceram e mamãe priorizou cuidar DELA em vez dele, saíram cobras e lagartos daquela pequena boca.
Semana passada torci o ligamento do pé, estou de bota ortopédica por 3 semanas (uma já foi, ieiii!!). Isso quando carrego 2 kg de bebê e preciso(ava?) dirigir fazendo mil coisas antes do nascimento, agora sou pessoa que depende dos outros pra tudo. Então o humor não tá o mais 100%. Juntemos hormônios de oitavo mês saindo pelos poros e uma criança miando nos ouvidos por horas, ó...



Tem dias que só por Deus.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sementes Espalhadas

Já-já voltei. Ãrrã.
Realmente o ano não anda promissor aqui na internet pra mim. Muita coisa prática e mais urgente na frente pra dar conta, sabem?
Então que o nome da menina é Lara. Quem me acompanha em redes sociais já sabia, mas tamos aí, requentando notícia. Demorou, viu? 13 semanas de deliberações até a decisão final do júri. E hoje não consigo imaginar outro nome pra ela.
Ontem veio ao mundo Francisco, meu sobrinho pequerrucho, primeiro filhote do meu irmão caçula Bruno e da minha cunhada-irmã-querida Thaís. Não pude vê-lo ao vivo ainda, mas por fotos já apaixonei. Bem vindo menino lindo, que sua presença fortaleça ainda mais o amor dos teus pais!
Foi um, resta uma. O ano passou voando em torno de roupinhas e badulaques e montagem de quartos e mudanças. Minha mãe se viu doidinha lavando quantidades enormes de roupinhas dos netos, bebês foram assunto dominante, mas agora, com a chegada do pequeno Francisco parece que tudo começa a girar mais devagar, a entrar nos eixos.
Preciso maneirar na ansiedade, pois a balança não tem gostado muito dos meus abusos. Sem pensar entram quantidades enormes de carboidratos, açúcar e afins no meu organismo, quero ver essas calorias saírem dele! Mas tá, isso é problema pra depois.
Lara é grandona, posso sentir. Já virou, semana passada senti a cambalhota e desde então, é pressão constante nas costelas e nos meus amassados orgãos internos. Mas tirando os momentos de dor aguda, é delicioso sentir a pequena brincando lá dentro, fazendo ondinhas na barriga quando algo a incomoda, se posicionando desde já no mundo.
Theo está encantado com ela, conversa muito com a irmã, faz carinho toda vez que chega perto da barriga, e algo me diz que passando o ciúme inicial, vai ser pau mandado na mão da caçula.
E eu fico aqui no meu canto, às vezes pirando o cabeção com neuras típicas de grávida, outras vezes elaborando teorias profundas sobre a humanidade. No consultório, ando pessoa prática, tenho poucas sessões com meus queridos pacientes antes de "sair pra parir" e só volto dali uns meses. Tô plantando sementes em todos para que possam refletir nesse meu tempo fora e não deixem de se auto desafiar e se descobrir mais a cada dia, às vezes acho que falo além da conta; mas nenhum deixou de ir até agora, então deve estar tudo bem ;o)






E apesar da superlotação à minha volta, de sentimentos, de expectativas, de pressões e pessoas, por dentro entrei em fase minimalista, pasmem! Quero clareza, quero faxina, quero me livrar de coisas, quero o bom e o necessário por perto. Um ninho mais clean dessa vez, eu diria. Que será que me espera com o nascimento dessa menina?
Hasta.

terça-feira, 24 de maio de 2011

It´s been a long, long day...

Entonces.
Não passei dessa pra melhor, não. Estava apenas em um processo de vida mais real e menos virtual.
First things first: outro ser me habita e não é distúrbio psiquiátrico. Gravidez. Prenhice. Peguei barriga.

 Dessa vez é menina e isso meio que me apavora. Eu gostaria que fosse menina, mas com a confirmação saí da zona de conforto e agora todo um mundo cor de rosa se apresenta diante de mim. Frio na espinha.
Tenho ainda 5 meses pela frente de noites razoavelmente bem dormidas antes do furacão recomeçar, muitas questões a serem definidas (questões espaciais principalmente, digamos que nosso apto não seja exatamente enorme, e que a quantidade de coisas que existem dentro dele atingiu o limite que o próprio pode comportar).
Mas esse é o tipo de problema que tem solução. Já vi nas ecografias que ela é toda bem montadinha, tem tudo no lugar certo e isso sempre dá uma certa tranquilidade. Continuo não entendendo as mulheres que gostam de gravidez, mas isso provavelmente é porque eu sou uma control freak de carteirinha.

Como assim algo está acontecendo comigo e eu não posso controlar? Opinar? Saber de antemão?

Dessa vez, ao contrário do Theo, tive muitos enjôos (inclusive computador me enjoava, vide o sumiço), muitos sintomas típicos que até então eram apenas lenda de grávida. Lhes digo que foi BEM de verdade. Os pesadelos vieram com tudo, horríveis, apavorantes, mas no quarto mês tudo diminuiu. Amém. Já durmo melhor, já tenho mais disposição e lucidez.
Theo não gostou nadinha da possibilidade de ser uma menina, passou mais de mês agressivo, duelando fisicamente com minha barriga, mas na ecografia para confirmação do sexo ele foi junto e tudo mudou. Hoje conversa com a barriga, dá beijos no umbigo, conta orgulhoso pro mundo ouvir que "ele vai ter uma irmã!". Uff.
Pontos positivos: foi um bebê planejado; é minha última gravidez (a gente não deve dizer 'nunca', mas nessa caso, em sã consciência, será o último bebê); vou poder brincar de menina, brinquedo novo!; isso me aproxima mais da linha de chegada, onde em uns 3 anos terei duas crianças relativamente independentes e poderei voltar a ser mulher adulta, profissional, sair um tanto desse universo mimimi que me cerca.
Me conhecendo, sei que terei altos acessos nostálgicos de falta do mimimi, mas serão situações pontuais e só. Brincarei com os sobrinhos que ainda virão e vai passar.
Outro motivo de não vir mais tanto aqui é que não queria ser "monoassúntica" de novo, só falar de gravidez e bebês e berço e etc. Pra isso existem blogs bem específicos, das ditas mulheres que amam gravidez. Not the case here. Amo bebês, tanto que estou me dedicando a fazer mais uma. Ponto. Se precisa comer salada de agrião pra poder ganhar sobremesa, eu como. Não quer dizer que eu aprecie agrião.
Mas calma minha gente, que não tô assim um poço de mau humor. Existem lá aqueles momentos realmente mágicos de sentir um leve cutucão de um micro pézinho de 2 cm te fazendo cócegas por dentro. Existe aquela facilidade para se emocionar com as coisas mais simples da vida. Existe a - geralmente respeitada - lei da preferência em filas e lugares públicos. E nessa gravidez específica existe aqui dentro a diminuição de consumo de chocolate, por puro desinteresse (pasmem!) e um aumento da vontade louca e desvairada por frutas. Saudável, feliz, ponteiros da balança e minha obstetra agradecem.
A bebê ainda não tem nome, isso tem me incomodado um tanto. Um dia eu acordo com o nome na cabeça, assim espero.
Aos poucos, ela vai ganhando espaço nessa família.

Voltaremos em breve com um boletim atualizado dessa(s) vida(s) do lado de cá.

sábado, 17 de abril de 2010

À toa

Tô preguiçosa confessa. Ando só querendo ler blogs alheios e com uma preguiça danada de postar por aqui.
Cansaço muito. Essa madrugada finalmente terminei de ler "Os Homens que Não Amavam as Mulheres". Que livro sinistro. Assim, romance policial, o escritor é (era, morreu logo após entregar os livros pra editora) detalhista mais que ao extremo, mas assim que a leitura engrena e você passa por cima daquela montoeira de palavras estranhas aos latinos (tudo se passa na Suécia, nomes dos jornais, cafés, lagos, paisagens, tudo tem meia dúzia de consoantes a mais do que estamos habituados a ler), aí a trama se torna difícil de largar.
Mas... a pessoa aqui não pode se dar ao luxo de parar o dia pra ler ad infinitum, ou seja, dormi entre 3 e 4 da manhã a semana toda, engolindo as páginas.
Pior: é uma trilogia e já comprei os dois seguintes. Mas vou dar um tempo, ler algo mais suave, que esse autor é bem "perturbado das idéias".
Todos casos, indico a leitura. 522 páginas de dar nos nervos.





segunda-feira, 8 de março de 2010

Cadê?

Sumo por quê?
Sempre parto do princípio de que, se não há a nada de bom a ser dito, que se mantenha o silêncio.
Não que minha vida esteja um erro. Mas tenho passado por dias bem "cotidianos", uma gracinha do Theo aqui, um momentinho delícia ali, e entre idas ao mercado, médicos de rotina, fazer almoço, arrumar a casa, ir pro consultório atender, vão-se os dias. O corpo reclama a falta de descanso decente, o bolso reclama a falta de mimos fora do orçamento, a mente reclama a falta de leitura por horas a fio sem preocupações maiores.
Theo já tem 11 dentes (mas o juízo acho que só vem com os dentes do siso mesmo). Fala tudo, muita coisa no idioma particular dele, mas imita todas as palavras que ouve e o encantam. É "gelado" pra cá, "pesado" pra lá e, mais importante que falar apenas, já entende o conceito por trás das palavras. Falta apenas a noção de tamanho e espaço.
Por exemplo, sabe que sapatos vão no pé. Mas já o vimos algumas vezes tentando calçar o tênis da Barbie da prima. Ou tentando entrar pela porta de um carrinho ou jipe de plástico, irritado por não caber.
Tem um temperamento forte, o pequenino. Sabe o que quer e como chegar lá. Cabeça dura em todos os sentidos, teimoso como só a mistura desse pai e dessa mãe poderiam resultar e com um esqueleto de adamantium, impressionante como se machuca e não reclama de dor praticamente. Ainda mama no peito, o que nos mantém mais ligados ainda. Domingo completa um ano e meio, mas parece uma longa vida já, essa nossa em comum.
Parte de mim quer uma casa cada vez mais limpa, clássica, cheia de portas de armários e sossego para os olhos. Aí vejo um ambiente verde maçã com cortina de listras em tons de rosa e uma mesa com toalha de bolinhas rosa clara e me apaixono.


A vontade é contratar uma caçamba, estacionar na garagem do prédio, abrir as janelas e jogar tudo que passar pela frente dos meus olhos. Aí penso que sou canceriana, que adoro uma memória, um "recuerdo", uma herança de vovó e sossego o facho.
Sinto que preciso viajar, pra longe, pro desconhecido, pro novo. Muito tempo fincada por aqui, o mês na praia foi uma extensão de casa, né? Casa dos pais, ambiente conhecido, praia sem graça. Só pra mudar de ares, mas o efeito psicológico ficou faltando.
Vou aproveitar que ainda é cedo e ler, como há tempos não faço. Theo no berço, marido na agência e eu envolta na trama policial de "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres", de Stieg Larsson.
Buona notte!
E feliz Dia Oficial da Mulher!! Mas nos parabenizo todos os dias, pois não é qualquer homem que aguentaria o tranco não...



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os Grizwald saem de férias.

Férias.
Depois de tanto tempo sem, demora outro bom tempo pra cair a ficha de que "sim, está acontecendo!"
Estou na casa de praia dos meus pais desde os dia 29/12. Choveu quase três semanas, com raios de sol esporádicos despontando no horizonte. Aproveitei esses raios de sol pra secar colchões, almofadas e travesseiros, porque é CLARO que a casa está com algumas goteiras e infiltrações; enfim, limpar sujeiras grossas da casa, lavar roupa, lerê, lerê.
Logo dia primeiro do ano pela manhã, lavando a roupa do Theo, calculei o tempo certo para lavar roupa na sombra (a área do tanque de roupa não é coberta). Nisso meu pequeno ser, curioso como só ele, conseguiu prender o dedo na dobradiça da centrífuga de roupa. E olha, não queiram prender lá nenhuma parte do corpo de vocês. Guilhotina style.
Enfim, muito choro de dor, colo de mãe, tylenol bebê e sono de exaustão depois, voltei ao tanque. So did the sun.
Sim, consegui uma queimadura de primeiro grau nas costas, que me manteve em casa por cerca de uma semana, com calafrios, suores e muita ardência.



Junta TPM, calor, casa fechada há um ano e cheia de pequenos reparos a serem feitos e pronto: me perguntei várias vezes o que vim fazer aqui.
Como aqui não temos berço, apenas uma grade protetora na cama, o pequeno acorda e automaticamente pula em cima do colo da mamãe. Em Curitiba ele se manifesta lá por 9, 10 da manhã. Pois bem, decidiu que em Itapoá a alvorada se dá entre 6:40 e 7 da manhã. Mamãe morre de alegria. Mesmo porque durante as sestas dele mamãe está fazendo almoço, indo ao mercado ou afins.
23 dias de férias e meu corpo dói como no dia em que cheguei.
Nesse momento sinto uma profunda empatia por Chevy Chase e suas férias em família. Quem sabe um dia eu olhe para trás e ria muito, mas muito mesmo dessa fase da minha vida? De preferência não amarrada a uma camisa de força...
Gastei vários dinheiros deixando a casa mais com cara de casa, e junto com isso meu humor começou a melhorar. Theo se ambientou e a casa parou de ter tantas novidades perigosas. Hoje ele se aventura com os perigos que já conhecemos e temos um certo controle. Cláudio trouxe parte de nossa vida urbana, então também se sente mais em casa e não reclama da vida selvagem. Monitor 22", HD lotado de seriados e filmes baixados ao longo de dezembro em Curitiba, internet.
Semana passada sentei na praia pela primeira vez para apreciar o mar e sossegar. Nesses últimos dias caminhei, me entupi de protetor 50 e até me aventurei ao sol. E agora que estou começando a gostar da idéia, as férias estão acabando; domingo vamos embora
Por hora é isso.
Aguardemos um boletim atualizado e menos perturbado.



quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ratatouille


Ando viciada em blogs e livros de culinária. Colecionadora compulsiva de receitas, como li num deles...
Até atualizei a lista aí ao lado, não estão ainda todos os meus favoritos (no "De Comer"), mas a grande maioria já consta. Com isso vem crescendo uma vontade de cozinhar mais e mais, apesar de odiar o "ter que fazer o almoço". Posso até cozinhar todos os dias, mas o "ter que" é que mata a empolgação e a criatividade. Acabo me dedicando muito às papinhas doces, sopas e outros quitutes de bebê e na hora de fazer a minha comida, tá tarde, a fome já chegou e como qualquer coisa ao alcance das mãos. Até Hot Pocket almocei esses dias, ó que fim de linha!
Mas a pediatra do Theo me alertou para os perigos de não cuidar de mim, só do pequeno: o fato de que isso pode me levar embora antes da hora e aí, quem vai cuidar do pequeno? Ah, essas médicas e seus argumentos infalíveis...
Hoje venci o comodismo e fiz arroz integral com gersal de gergelim preto, feijão carioca, linguiças pré-cozidas na pressão e refogadas com cebola na panela de ferro e talos de brócolis refogados na cebola, alho e shoyu. Montoeiras de comida, só pra mim. Ó que triste. Ainda bem que amanhã a diarista vem e fazemos um repeteco, com mais alguma coisa inventada na hora.
Melhor que Hot Pocket, com certeza. Mas o Theo precisa crescer logo, pra ter mais graça cozinhar sempre. E do jeito que esse menino gosta de se alimentar, ocasiões pra testar receitas é que não vão faltar!



terça-feira, 14 de julho de 2009

Smile

Theo está aprendendo a dar risada. Não a rir, claro; o menino está fazendo dez meses hoje e ri desde que me lembro dele fora da minha barriga.
Mas entrou na fase de responder comandos e, com isso, encantar todos em volta. A gente pede "palminhas", ele ergue os bracinhos e dá-lhe bater palmas; pedimos a "zebrinha", põe e tira a língua da boca rapidamente (alguém aí tem idade pra lembrar da zebrinha do Fantástico, que fazia o mesmo movimento quando davam o resultado da Loteria?); no "Fusquinha", imita um porquinho de nariz enrugado e soltando ar pelas narinas (na minha opinião, o mais fofo de todos). E reparou que as pessoas em volta riem, outras vezes sorriem, algumas gargalham. E de repente estamos lá, rindo à toa, ele começa a gargalhar nos imitando. Risos quebrados e pausados, tentando acertar na entonação. Três dentes e muita gengiva aparecendo e um extremos controle por parte da mãe dele pra não esmagá-lo de tanta fofura.
Ô trem bão esse de ser mãe!




segunda-feira, 29 de junho de 2009

Querido Diário

Hoje me senti "tipos" Larry, Curly e Moe. All at once. Ô, diacho!

Tranquila, fazendo meu almoço e a sopa do Theo, ele reclamando no cercadinho. Solidão, acho.
Puxei o cadeirão pra cozinha e coloquei lá o pequeno, assim nos faríamos companhia. Nisso toca o telefone na sala. Entre pegar o aparelho e voltar pra cozinha, ele conseguiu se esticar diegohipólitamente e puxar e jogar no chão uma caixa com 12 ovos, mãozinhas já tocando o açucareiro. Next in line.
Tudo bem até aí, quem mandou deixar ovos ao alcance de um bebê? Abro a caixa, um espatifado escorrendo no chão, dois apenas com a casca quebrada. Beleza, estrago pequeno. Na pressa, a manga da blusa derrubou mais um (obviamente não um de casca trincada), direto para o chão. Caiu em grande estilo. E outro caiu na pia. Xinguei Nossa Senhora da Santa Paciência e em movimentos muito rápidos, querendo limpar tudo antes de espalhar mais, derrubei a panela de pressão (sem a tampa, que é pra dar mais emoção) com a sopa pronta dele na pia. Metade se espalhou em cima da louça suja. Agora duplamente suja.
Detalhe: no telefone, era a homeopata confirmando consultas dele e minha para dali a uma hora e meia. Lá, no consultório. E nós aqui, em casa. Ainda sem almoço, ainda sem banho. E com ovos escorridos pelo chão.
Pois muito bem, antes de comer, mamãe caridosa resolve tirar o cocô da fralda do bebê. Com pressa. Ah, a maledetta...
Puxo a fralda com bolotinhas escuras e deixo a mesma cair no chão do quarto. Um ser de 9 meses e sem um pingo de juízo semi-nu em cima de um trocador e seus dejetos rolando pelo piso do quarto. Qual atender primeiro?
Toca o celular. Atendo esse primeiro. O amigo do pai que emprestou uma nota fiscal e usou nossa conta para um depósito e quer que eu anote "as agências e contas" para onde o dinheiro deve ser transferido. "Amanhã, se possível, ok?".
Theo come, ao mesmo tempo engulo minha comida, em etapas. Ele cochila uns 15 minutos, nos quais eu tomo meu banho versão troca-de-pneus-durante-a-corrida-de-F-1, uma mão ensaboando a cabeça enquanto a outra lava o pé.
Heroicamente, chegamos com apenas dois minutos de atraso à consulta. Falo descompensadamente que preciso de homeopatia pra ontem, porque "acho que estou ansiosa". A médica me olha com olhos de compaixão.
Aí lembro que a bateria do carro precisa ser trocada, e por quê não também as palhetas dianteiras? Um pulo na farmácia, pois ainda amamento e minhas vitaminas acabaram. Também vou ao banco, ver se o cheque do homem já compensou pra começar a transferir o dinheiro. E na farmácia homeopática, mandar fazer a lista que a médica recomendou.
Ops, hora do Theo comer. Papinha Nestlé, no carro mesmo. Derrubo a colher cheia de papinha de mamão e laranja em cima da minha blusa. Água pra limpar? Acabou. Uso a da mamadeira. Theo puxa a mesma da minha mão e vira em cima de si. A única roupa, na pressa não levei extras.
Uff. Já cansei. Isso que nem cheguei em casa. Mas já deu pra sentir como é um dia típico na minha wonderful life. Fora trânsito, estacionamentos, flanelinhas-filhos-de-satã-tentando-estorquir-dinheiro-fácil, tira bebê da cadeirinha, põe bebê na cadeirinha... sorte minha, a maior de todas, é ter comigo o menininho mais compreensivo e risonho do planeta. Isso torna tudo mais fácil e consigo rir na maior parte das vezes. Sorrir, pelo menos.
Só faltou a torta de chantilly na cara.



terça-feira, 23 de junho de 2009

"Na saúde e na doença"

Bom, Theo sarou da gripe. Aí fui em quem caiu na dança. Em seguida Cláudio fez as honras e entrou na contradança, e assim passamos um mês emperebado.
Apesar do "virus free environment", a preguiça e lezeira típicas de inverno chegaram, na verdade praticamente despencaram, aqui em casa. O único em constante movimento é o pequeno. Gente, como pula! E derruba coisas, e quebra outras, e gargalha muito e sempre.
Esse frio curitibano é de lascar, a roupa demora uma era pra secar no varal. Tenho três, sempre cheios. E fico perseguindo qualquer vestígio de sol ou vento pela casa, na tentativa de adiantar minha vida e minhas funções "do lar".

¨¨¨¨
Minha gata mais velha, a Miucha, está doente. Foi meu presente de 18 anos, já está com 16, a bichinha. Desde que me mudei para um apartamento ela ficou morando com meus pais, estava acostumada com jardim, tomar sol lá fora, etc. É tida como Highlander há anos, essa nasceu com umas 19 vidas. E já gastou quase todas, de tanto que aprontou em vida. Mas começou a "inflar" há umas duas semanas e está há 5 dias internada. Aparentemente, o intestino não estava funcionando há um bom tempo, estava desidratada e coisinhas decorrentes do quadro. Daí pra ultrassom, raio-x, dias de fluidificação e nesse momento, cirurgia, foi um pulo.
É uma gata super discreta, se procurar bem é capaz de se encontrar uma plaquinha de patrimônio por baixo do pêlo. Quase um móvel da casa, sempre ali, dormindo ou acompanhando os movimentos da família. Não me agrada em nada a possibilidade de perdê-la... tantas memórias boas com ela no meio! Foi testemunha da minha adolescência tardia, companheira, dividiu a cama comigo por muitos anos, me defendeu e alertou de perigos inúmeras vezes. Chata como só uma boa siamesa consegue ser, inteligente a ponto de subir na pia e bater a pata na chaleira às 5 da tarde, hora de esquentar a bolsa de água quente dela.
Há duas semanas, no feriado, pais viajaram e fiquei encarregada de ir até a casa deles cuidar da Mi. Logo no primeiro dia, uma angústia enorme ao vê-la. Demorou a atender meu chamado, quase não havia comido. Mas veio toda fofa, ronronando e querendo seu cafuné. Senti algo esquisito. Nossa comunicação anda falha, com o Theo minhas atenções não se voltam mais muito para ela quando vou até lá. Mesmo assim, nossa sintonia é forte. Dias depois, o pedido para que eu a levasse ao veterinário. Na consulta, garganta engasgada o tempo todo. Me despedi dela com muito carinho e conversa. Mas essa história de cirurgia me deixou apreensiva... em tese é só pra retirar líquido da cavidade abdominal, mas os exames até agora foram inconclusivos.
Que ela não sofra.
No aguardo de notícias.



terça-feira, 19 de maio de 2009

Estado de graça


Meus sais, como esses dias têm voado. Theo um tempinho de nada atrás tava dentro do barrigão, agora já fez 8 meses e só apronta, o menino.
Faz tempo que não conto dele, deixa dizer que esse meu pequenino é realmente um serzinho abençoado. Ri da vida, sempre! Com 6 meses começou a se arrastar por tudo (não entendeu bem o processo de engatinhar oficialmente, mas tá valendo). Já fica em pé sozinho, se segurando nas coisas. Subiu numa estante esses dias pra tentar pegar um livro, já peguei-o no segundo degrau da escada, já prendeu dedinhos na gaveta da cozinha, hoje mesmo puxou uma cadeira pesada de madeira em cima de si, fez galo na cabeça e um belo machucado na testa.
Mas sabe? Não me apavoro. Na hora vem o choro e claro que colo de mãe (e de tia, de vó) serve pra acalmar. Logo ele esquece que se machucou e já tá dando risada de novo.
Vejo como a maternidade depois dos 30 é benéfica em tantos aspectos: tenho disciplina e paciência (e consciência da importância!) de preparar comida fresca pra ele todos os dias. Sopa e papinhas de frutas, além da outra paciência, a de dar comida 3 a 4 vezes por dia pra alguém que se distrai até com um fiapo preso na roupa. A de montar e desmontar o aparato de banho todas as noites, porque sei que na banheira ele relaxa e dorme melhor (depois do banho, calma!)que no banho de chuveiro; a "vontade imposta" porém necessária de brincar com os mesmos brinquedinhos de borracha todos os dias, inventar historinhas diferentes pra cada um, cantar as musiquinhas mais bestas e dançar como uma retardada só pra ganhar um sorriso e uns minutos de entretenimento, porque ele merece. Saber a hora de dizer tchau e cuidar um pouco de mim, dos meus afazeres, do consultório, enquanto ele aprende que mamãe faz parte, mas não É parte dele.
E isso tudo amando profundamente e vivendo cada minutinho com esse bebê ao máximo, pois sei que logo acaba e ele vai pra vida, eu sou só a base da construção.
Aos que me lêem sempre, desculpe o sumiço. Mas esse post é meio auto-explicativo, né? Sinto muita falta daqui, mas tem alguém que PRECISA da minha presença, corpo e mente, nesse momento da vida. Aí que posts, só quando não tô desmaiada de cansaço em algum canto. Logo, espero!
Namastê.



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mas tava aqui, pra onde foi?!

Hoje me caiu uma ficha (por sinal, acabo de ver como estou passé composé, fichas caíam nos telefones públicos do século passado!): doismileoito acaba mês que vem. Ãrrã. 38 dias apenas. Mas ontem mesmo eu estava de taça de espumante na mão comemorando o ano que ia nascer, com muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender!


Pois foi o tal do ano, esse. O bolso não viu muito dinheiro, a saúde esteve praticamente inteira voltada para a fabricação e o bem-estar do Theo. Deixei de ser só filha para ser também mãe. Revi montes de amigos, resolvi outros montes de pendengas. Comentei uns posts atrás, antes do Theo nascer, que sentia como se estivesse de mudança pra Namíbia em setembro, tal era minha urgência em terminar e organizar coisas, pois achava que nunca mais ia voltar a ser dona da minha vida. Pois digo novamente, que bom que fiz tudo aquilo. E que pena não ter conseguido fazer mais. Como esse menininho exige minha disponibilidade!
Tô só esperando o momento em que vou me pegar correndo atrás da bolinha vermelha que ele jogou, no melhor estilo "vai ali mamãe, pega!"...
Fazendo parte deste mundo gestante/pós-parto descobri coisas absurdas na internet. Sites, fóruns de discussão, comunidades, esse é um mundo bem neurótico e "florzinha". Não me decidi por tomar partido de nenhuma corrente específica. Não quero o pequeno dormindo na minha cama, por exemplo, mas também não acho legal deixá-lo berrando sozinho no berço até ficar roxo e perder a voz. Produzi uma criança muito grande, que, se você ficar parado olhando com bastante atenção, é capaz de conseguir ver crescer. Logo logo não cabe mais no colo das pessoas, por maior que seja a boa vontade. Então por quê não encher esse menininho de colo, chamego e cafuné enquanto ainda é possível, sem precisar de Gelol e tipóia depois? Combinei com a pediatra dele que vamos resolver como tirá-lo do hábito de ficar pendurado em mim mais pra frente.
Mas como tuda na vida tem consequências, esse gesto de amor de mamãe para filhote se torna uma faca de dois gumes. Ou tá no meu colo ou não tá bom. E anda em fase de pico de crescimento, pedindo leite de duas em duas horas. Detalhe: se mama 7 da manhã, pede de novo às 9. Mesmo que tenha ficado mamando até 7:40, aí feito uns charmes, se espreguiçado e dormido só 8:20. Quando começo a cochilar, ele abre o bocão de novo. Sei que comportamentos se condicionam, acredito piamente que vou conseguir mudar isso daqui um tempo.
Isso tem me deixado afastada de tudo, inclusive do Baú. Sinto falta de escrever, de organizar minha vida, de ir ali e já voltar, sem precisar levar a mudança junto. Até 2007 acabar, eu era dona de verdade da minha vida e não tinha consciência disso. Não voltaria atrás por nada, me encontrei sendo mãe e apesar de andar por aí com uma cara meio bocoió, anotando tudo nas mãos pra não esquecer, sei que vai passar.
Descobri minha gravidez 14/01/08 e minha vida mudou 14/09/08. Tinha como 2008 não ser o ano do mono-assunto?


Meio cedo pra uma retrospectiva? Mas como posto sem saber quando voltarei, melhor me garantir ;o).
Que 2009 seja mais diversificado de assuntos, que meu pequeno-grande Theo cresça saudável e cada dia mais fofo, que minha porção Mulher-Maravilha aflore, pra eu dar conta de tudo que me espera. Urgente.



segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vida Após o Parto


Voltei!
Sem muitas novidades do mundo externo, afinal no último mês fiquei dentro de casa. Com saídas para: vacinação infantil, almoços (quatro) na casa da mãe, avó e tia e uma escapada até o mercado. Ah, hoje também saí rapidinho, tipos 21:30, pra ir ao shopping comprar... um sutiã de amamentação.
Mas Deus abençoe a tv a cabo e a internet, que suprem de leves minhas carências de informação e contato com a civilização.
Enquanto mãe, me sinto feliz demais da conta e completinha enquanto ser humano. Nada que ele precisa ou faz me estressa, me irrita ou me faz reclamar. Vantagem de engravidar balzaquiana, ter essa paciência lapidada aos poucos.

Meu pitoco é calminho, sossegado e encantador. Claro, estou bem cansada, bem com sono e bem zureta, mal sabendo que dia é hoje. Não dá nada, daqui uns anos eu durmo. Na verdade, se ele dorme demais chega até a me dar saudade. Ô processo insano.
A economia mundial foi passear no Six Flags? Pena. A Donatela ainda não descobriu que o Halley é filho dela? Too bad.
No meu microcosmo as coisas vão bem, obrigada! Agora já posso dirigir, hoje ele faz um mês; logo terei assuntos mundanos para refletir e compartilhar por aqui.
Hasta!!



terça-feira, 16 de setembro de 2008

Nació el niño

Theo chegou ao mundo. Dia 14, virginiano com ascendente Escorpião e lua em Peixes. De cesárea, o que acabou sendo bom, pois o cordão dava duas voltas em torno do pescoço. Ele é lindo (coisa de mãe, né?) e saudável (coisa de médico). Passa bem nosso resultado da Tele-Sena, de hora em hora a mamãe ganha o prêmio cupom-alimentação.
Mamãe essa que por sinal está de pontos, cintas e dores variadas. Mas juro que ignoro e mal reparo, tão bom é ter o pequenininho se acalmando e parando de chorar cada vez que sente meu cheiro.
Nasceu uma família.



terça-feira, 2 de setembro de 2008

Yellow brick road


"350 quilômetros...350 quilômetros... pára um pouquinho, descansa um pouquinho... 360 quilômetros!"
E não se chega nunca.
Mas a gente é brasileiro e no desiste jamás.
Vamo lá, Theo! Força na peruca! Se joga, filho!
*tipos... dá pra perceber que ele ainda não se pronunciou, não?