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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ela.

Comecemos pelo cheiro. Adocicado, dependendo do horário do dia, meio azedinho, "coalhado". Ainda assim, o cheiro. Viciante de tantas maneiras! Aí temos a pele. Macia, sensível, toda trabalhada nos mil origamis espalhados pelo corpinho. Os olhos! Azuis escuros, ainda um pouco acinzentados, mas sempre atentos e curiosos (quando não fechados, pois se há uma criatura que dorme nessa vida, é ela...).
Essa é minha pequena Lara.
Depois de um pé que me paralisou, de uma mudança que me estressou, de uma lista de gastos que me enervou, acordei dia 17 de outubro em plena madrugada com água saindo de dentro de mim. Estava pronta para nascer, essa minha menininha. Banho longo, arrumações finais e muita calma, fomos para a maternidade. Contrações, mais líquido, mas de novo meu colo do útero mega possessivo impediu a natureza de agir e tivemos que dar uma força cirúrgica para trazê-la pra fora. Outra cesárea.
E nasceu, linda, berrando muito, gorduchinha e muito doce. E esses foram meus últimos 42 dias, intensos, muito ocupados, um tanto doloridos mas em ótima companhia.
Meu computador insiste em não funcionar, insisto em levá-lo para a assistência técnica (valeu Positivo, nunca mais compro nada de vocês!). Uma hora essa situação se resolve, mas enquanto estiver na garantia, exigirei meus direitos. Pena, pois nesse momento gostaria de baixar fotos dela, interagir mais com as pessoas, trocar e-mails frequentes com as amigas. Por outro lado, já tenho uma casa pra dar conta, um filhote de 3 anos para administrar e muitas coisas para aprender com minha pequena delícia, talvez com um computador sempre perto a dedicação não fosse tanta ;o)
É isso. Morro de saudades de vir aqui ler e postar, mas nesse momento, a vida real me chama aos berros.
Desculpa aí, tenho que ir. Ou ela não pára mais de gritar.
Volto. Ah, se volto!!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Foi.


Assim que postei, me ligaram da clínica, com más notícias.
Ao que parece, os felinos possuem uma membrana chamada Omento, que é super vascularizada e fica em torno dos orgãos do bicho. Pois então, ela tinha uma neoplasia (câncer) nesse tal de omento. Cheia de grânulos, irrigado por tudo. Sem chance de remoção. Opções? Esperar voltar da anestesia, passar por um pós-operatório dolorido e complicado e a partir daí, só piorar de saúde. Ou... colocá-la para dormir.
Choque. Mas fomos de segunda opção, aproveitando a anestesia e garantindo que a pequena não sofreria mais. Meus pais e eu fomos até a clínica, a medicação da eutanásia já havia sido dada. Corpo ainda meio quente, ela costurada e coberta por uma mantinha confortável, "esperando" seu último cafuné.
Ô, tristeza enorme. Tá doendo. Mas Deus me livre manter minha pipoquinha viva e com dores só pra eu ter mais um tempinho ao lado dela!
Como não temos a menor intenção de visitar cemitério de gatos nem de guardar uma mini-urna com cinzas em cima da lareira, sugerimos doar o corpinho dela para estudo. As médicas disseram que é um câncer muito raro e as universidades têm carência de felinos para estudo. Como ela já está na nossa mente e no nosso coração, acho por bem ajudar os veterinários a aprenderem a diagnosticar esse tipo de doença mais cedo e se possível salvar a vida de outros gatinhos.
E ainda por cima, hoje faz exatos 12 anos que minha avó querida se foi. Ô dia!
Que estejam na luz, ambas.
Amém



"Na saúde e na doença"

Bom, Theo sarou da gripe. Aí fui em quem caiu na dança. Em seguida Cláudio fez as honras e entrou na contradança, e assim passamos um mês emperebado.
Apesar do "virus free environment", a preguiça e lezeira típicas de inverno chegaram, na verdade praticamente despencaram, aqui em casa. O único em constante movimento é o pequeno. Gente, como pula! E derruba coisas, e quebra outras, e gargalha muito e sempre.
Esse frio curitibano é de lascar, a roupa demora uma era pra secar no varal. Tenho três, sempre cheios. E fico perseguindo qualquer vestígio de sol ou vento pela casa, na tentativa de adiantar minha vida e minhas funções "do lar".

¨¨¨¨
Minha gata mais velha, a Miucha, está doente. Foi meu presente de 18 anos, já está com 16, a bichinha. Desde que me mudei para um apartamento ela ficou morando com meus pais, estava acostumada com jardim, tomar sol lá fora, etc. É tida como Highlander há anos, essa nasceu com umas 19 vidas. E já gastou quase todas, de tanto que aprontou em vida. Mas começou a "inflar" há umas duas semanas e está há 5 dias internada. Aparentemente, o intestino não estava funcionando há um bom tempo, estava desidratada e coisinhas decorrentes do quadro. Daí pra ultrassom, raio-x, dias de fluidificação e nesse momento, cirurgia, foi um pulo.
É uma gata super discreta, se procurar bem é capaz de se encontrar uma plaquinha de patrimônio por baixo do pêlo. Quase um móvel da casa, sempre ali, dormindo ou acompanhando os movimentos da família. Não me agrada em nada a possibilidade de perdê-la... tantas memórias boas com ela no meio! Foi testemunha da minha adolescência tardia, companheira, dividiu a cama comigo por muitos anos, me defendeu e alertou de perigos inúmeras vezes. Chata como só uma boa siamesa consegue ser, inteligente a ponto de subir na pia e bater a pata na chaleira às 5 da tarde, hora de esquentar a bolsa de água quente dela.
Há duas semanas, no feriado, pais viajaram e fiquei encarregada de ir até a casa deles cuidar da Mi. Logo no primeiro dia, uma angústia enorme ao vê-la. Demorou a atender meu chamado, quase não havia comido. Mas veio toda fofa, ronronando e querendo seu cafuné. Senti algo esquisito. Nossa comunicação anda falha, com o Theo minhas atenções não se voltam mais muito para ela quando vou até lá. Mesmo assim, nossa sintonia é forte. Dias depois, o pedido para que eu a levasse ao veterinário. Na consulta, garganta engasgada o tempo todo. Me despedi dela com muito carinho e conversa. Mas essa história de cirurgia me deixou apreensiva... em tese é só pra retirar líquido da cavidade abdominal, mas os exames até agora foram inconclusivos.
Que ela não sofra.
No aguardo de notícias.



sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ninho de Passarinho


Hoje fui buscar o Pedro na escola. Caminhando, na volta, ele prestou atenção na minha barriga.

"- Tua barriga tá esvaziando, né tia Uli?
- É que o Theo não tá mais lá dentro, né Pê?
- Pois é... ele nasceu pelo buraquinho da sua periquitinha?"

Hein??

"- Não Pedrinho, ele nasceu pelo buraco na minha barriga, embaixo do umbigo, lembra que eu te mostrei?
- Ah, é... mas você sabia que muitas pessoas nascem pelo buraquinho da periquitinha da mãe delas?
- Pois é, me contaram também."

Ah, os quatro anos e suas descobertas...



terça-feira, 16 de setembro de 2008

Nació el niño

Theo chegou ao mundo. Dia 14, virginiano com ascendente Escorpião e lua em Peixes. De cesárea, o que acabou sendo bom, pois o cordão dava duas voltas em torno do pescoço. Ele é lindo (coisa de mãe, né?) e saudável (coisa de médico). Passa bem nosso resultado da Tele-Sena, de hora em hora a mamãe ganha o prêmio cupom-alimentação.
Mamãe essa que por sinal está de pontos, cintas e dores variadas. Mas juro que ignoro e mal reparo, tão bom é ter o pequenininho se acalmando e parando de chorar cada vez que sente meu cheiro.
Nasceu uma família.



quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos namorados! Pra quem, mesmo???





Olá, minha gente!
Agora esse é meu mlog, meu blog mensal. Hehehe... mas tá complicado mesmo sentar aqui com tempo e inspiração, essa figura calma e ponderada que vemos da mãe grávida é só imagem, mesmo.
Sexto mês de Theo na área. Chuta, sacode, samba, se espreguiça, tudo como se não houvesse um invólucro sentindo cada movimento. Mas tá valendo, sou boazinha com crianças.
Passei um mês bem agitado, viajamos de carro até o interior do Paraná. Loooonga viagem, nunca antes 6 horas me pareceram tão compridas. Aí calor de Dante por lá e na volta, uma sogra na bagagem. Ela fez cirurgia e não tava se cuidando bem, trouxemos pro frio de Curitiba pra ela "cicatrizar" mais tranquila. Mas é sempre um rebuliço na casa e na vida, né? Duas semanas, como vou colocar... "intensas". Aí na última sexta ela voltou pra casa, quis ir até lá cuidar da vida. Tá melhor de saúde, pelo menos.
A "construção" do quarto do pequeno está a toda, mil idéias sendo postas em prática, eu com essa pança enorme me dificultando todos os movimentos, estranho... primeira fase de vida que me lembro de ter que pedir ajuda pra quase tudo que faço. E ainda assim faço umas lambanças de vez em quando, carrego pesos que não devo, abaixo e levanto rapidamente, enfim, a intenção é sossegar, mas veja bem... ou faço certas coisas agora ou só quando esse menino tiver uns 10 anos de idade!
Legal ver tanta gente curtindo essa gravidez comigo, é uma torcida enorme! Amor, tios e tias não faltarão pra esse menino. Amém.
Mas sinto umas faltas. De trocar e-mails com gente querida, de visitar algumas pessoas, de dormir de bruços!; de acordar e escolher ficar na cama, sem fazer absolutamente nada, e sem culpa, porque realmente não há nada de importante a ser feito.
Mas aí acho que eu teria meus 20 anos de novo e não teria a perspectiva de uma família sendo construída.
Por hora é isso, a coluna permitindo, volto antes de um mês!

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Cataclisma


Que maré!
Tive um fim-de-semana muito estranho, muito diferente de todos os que me recordo. Novamente, família.
Na sexta-feira peguei carona com meu primo e a esposa dele para Criciúma, em SC. Meus tios completaram 30 anos de casados no sábado e uma festa foi organizada, fui representar meu lado da família. Faltando apenas uma hora de viagem (são 6 no total) recebemos um telefonema: meu outro tio, o caçula (meu pai é o mais velho e o de SC, o do meio) estava indo para lá com minha tia e meu primo de 17 anos e teve um acidente grave. Estavam em um hospital em Florianópolis. Sorte a deles ter sido perto de Floripa, pois contaram com hospitais melhores e uma prima cheia de iniciativa que mora lá. Fomos até Criciúma e de lá acompanhamos os fatos via Embratel. Preocupantes. O carro capotou, meu primo foi lançado para fora pelo vidro traseiro e estava (e ainda está) inconsciente desde então, agora em coma induzido e aguardando melhoras. Pelo menos o quadro é estável, já se passaram 48 horas e isso é positivo. Minha tia estourou o vidro da frente com a cabeça, que virou algo disforme, apesar de não ter quebrado nada. Passou por uma microcirurgia plástica e está estável, mas com muitas dores e hematomas e drenos na cabeça. Meu tio saiu com hematomas, mas já teve alta.
No sábado de manhã a festa foi cancelada, saímos de Criciúma em direção à Florianópolis e lá passei meu fim de sábado e parte do domingo. Visitei meu primo na UTI, foi... esquisito. Já estagiei em vários hospitais durante a faculdade, inclusive em UTI´s, mas obviamente como estagiária de psicologia dava prioridade a quem podia falar, não aos comatosos. Foi a primeira vez que me vi frente a um conhecido, pior!, meu primo caçula e por quem tenho um carinho especial, deitado inerte. A sensação ao vê-lo foi a de que caiu da bicicleta e estava dormindo. Sereno, com tubos na boca e saquinhos de soro por todos os lados, alguns arranhões na testa e nariz inchado. Só. Seus batimentos cardíacos aumentaram enquanto estivemos lá, o que pode indicar que percebeu nossa presença. Tomara. Seu estado ainda é considerado crítico, corre risco de vida.
Minha tia não consegui visitar, por problemas de horários conflitantes e ela estar em outro hospital. Pena.
Além disso houveram muitas conversas em família, muitos desabafos, sensações veladas vieram à tona... ainda não chorei, apesar da tristeza de imaginar o quadro emocional todo que se desenrola a partir de agora. A recuperação física e psicológica, principalmente, e como isso vai refletir na família.
Penso em minha avó, que mora com eles e acaba de sair do hospital, angustiada em saber notícias e poder olhar para todos, vivos e bem de saúde; na namorada do meu primo, estão juntos há uns bons dois anos, talvez mais, tão nova e já precisando se deparar com uma coisa grave destas, a possibilidade de perder o namorado de maneira tão cruel; em minha tia, que passou por uma deformação física e vai levar um tempo até voltar a se sentir bem consigo mesma, além da preocupação com o filho e não poder visitá-lo; do que deve estar se passando na cabeça do meu tio, sabendo que estava ao volante e vendo as consequências do que ocorreu; meus dois primos que ficaram em Curitiba e por um triz não perderam a família; enfim, são pontos de vista variados, tento calçar os sapatos de todos para conseguir entender o que estão sentindo.
Me senti um peixe fora d´água em vários momentos, apesar de estar em Floripa, minha terra natal querida. Mas sinto que foi importante eu ter estado lá, junto com eles, de alguma maneira a família toda se conectou através deste acidente.
Tô achando esse post pessoal demais, mas enfim... precisava escrever e reler tudo isso, quem sabe eu consigo processar melhor as informações.
Detalhe: eu deveria ter ido no carro com eles. Imagina a perna bamba quando soube do acidente. Faz pensar em muitas coisas, realmente. Hasta.


Maestro, qual é a música?
Rosamunde, Op.26, D.797:Intermezzo - Franz Schubert - Meditation: Classical
Relaxation vol.4

sexta-feira, 25 de março de 2005

Abuelita


Hoje já posso falar sobre o "problema de saúde na família" do post passado. É a minha avó, a única que restou dos 04, dos quais pude conhecer bem a todos. Aí que dá um ruim imaginar que ela poderia passar desta para outra numa questão de horas... aquela coisa, sentiu dores na barriga de madrugada, esperou amanhecer para pedir ao meu tio que a levasse ao hospital, internaram e fizeram mil exames. No dia seguinte retiraram a vesícula. Deveria ter sido uma operação simples, porém demorou mais que o esperado, encontraram aderências nos tecidos (e isso não é nadinha bom), estava na UTI naquela noite em que escrevi.
O médico alertou que se ela tivesse febre, poderia desenvolver um quadro de septicemia em duas horas e... a essa hora estaria tomando chá com amigas do passado em alguma dimensão por aí, e nós estaríamos por aqui, bem tristonhos. Quis o universo que não fosse assim, então minha prima e eu nos revezamos nas noites como acompanhantes e as tias no revezamento 4x4 diário. E ela melhorou.
Até pensamos que vamos ter que ser muito cuidadosas ao contar para o agente dela que de agora em diante, nada mais de editoriais de biquíni; só com maiô ou com saídas de praia; aí ela dá corda para a conversa e pronto, não dormimos à noite, só falamos abobrinhas e bobagens. Esse senso de humor dela vale cada segundo de conversa...
Então foi isso: apesar de muito trabalho, tive uma semana bem hospitalar, pouco sono mas muita riqueza de conhecimentos sobre minha família, histórias do passado dela, causos, nascimento e mais tarde namoro e filhos na Argentina - é, eu sei, eu sei... a gente não deve falar que tem sangue argentino, mas... ;o)- escola e educação na Bélgica, a vida em várias fazendas no Rio, São Paulo e Paraná, enfim, tudo que uma vida que é muito cheia de guinadas há 80 anos consegue acumular.
Apesar de ainda ter pela frente pelo menos mais 4 dias de hospital, acredito que ela decidiu que ainda não é a hora de ir, então vai se aguentar firme para ter alta logo. Bom para todos...

Maestro, qual é a música?
The Green Leaves of Summer - The Brothers Four - The Brothers Four Greatest Hits
Video

A time to be reapin'a time to be sowin'
The green leaves of summer are calling me home
It was good to be young then in the season of plenty
When the catfish were jumpin' as high as the sky

A time to be livin', a time to be laughin'
A time to be dreamin' a dream of your own
Was so good to be young then to be close to the earth
Now the green leaves of summer are calling me home

(A time to be reapin', a time to be sowin')
(The green leaves of summer are callin' me home)

It was good to be young then with the sweet smell of of apples
And the owl in the pine tree a-winkin' his eye
(A time just for plantin', a time just for plowin')
(A time just for livin', a place for to die)

T'was so good to be young then to be learning to pray
And to thank the great maker each trouble free day