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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Vagos pensamentos

"Eu podia tá roubando, eu podia tá matando", mas na verdade mesmo eu devia estar dormindo. 5 pra uma da manhã e resolvo começar a escrever???
Os pequenos dormem profundamente.  Vou aproveitar que o sono não me dominou por completo.
Minha teoria do último (e empoeirado, cof, cof!) post, aquela onde eu dizia que seria organizada e teria rotina, sabem? Pois é. Ainda não funcionou.
Mudei de consultório em julho. Pagava demais no centro da cidade para usar de menos. Como percebe-se, não quero abrir mão da profissão, mas também não é o momento de sair por aí fazendo palestras e folders e angariar novos pacientes. Casa, ninho, crianças pequenas. Depois mudo o foco.
Então comecei a atender minhas pacientes queridas, que não se importam com meus eventuais atrasos e mamadas fora de hora, num local muito especial, que pra minha sorte fica embaixo do apto dos meus pais. O ruim é que fica do ooooutro lado da cidade. Ir até lá implica em almoçar correndo em casa ou almoçar na minha mãe, pós escola do Theo (que acaba 12:15, soma trânsito, danou-se almoço na horinha certa da fome dele). Já começa a confusão. Aí ele não dorme de tarde, porque fica alvoroçado com o primo, a avó, as pessoas queridas dele que transitam por lá. 
Lara, que tem altas tendências pra ser arroz de festa, curte muito os paparicos, passa a tarde com biscoitos na boca, não dorme tudo que precisa. E a vinda pra casa de noitinha é longa o suficiente para que durmam e curta demais para que seja todo o sono que precisam. Chegam em casa acordando ao sair do carro, aos berros, irritados, é um parto de elefante fazer todo mundo sossegar (eu inclusa), fazer com que jantem, tomem banho, as noites invariavelmente são minhas a partir das... 23:00. Pra comer, tomar banho, lavar louça, verificar extratos e pagamentos, separar roupas limpas de sujas, ler, ver tv... e ter que acordar 7:00 pra arrumar o Theo pra escola.
"Donde que" acabo não fazendo metade e o blog, esse que me faz tanta falta, fica só na lembrança de tempos áureos onde minha vida era só minha.
Fique claro que não dou, não vendo e não troco esse meu mundinho caótico. É bagunçado, mas é meu, e eu amo muito tudo isso  ;)
Mas alguns desses dias me pego com a faca na mão, cotovelo apoiado no avental e o pensamento lá longe. Invejando Dona Benta, que tem tia Anastácia a postos na cozinha fazendo delícias. Ou varrendo pela terceira vez a trilha de comidinhas que a Lara vai soltando (pra não se perder no caminho de volta, penso eu?) e sonhando com o dia em que a Rose não será apenas a empregada dos Jetsons, mas uma realidade. Torcendo para que chegue logo o dia em que essas crianças aprendam a se limpar sozinhas depois do cocô. Mentalizando boas vibrações para o marido chegar bem humorado em casa e pelo menos lavar a louça empilhada na pia.
Assim, devaneios. Não paga nada por isso, né Arnaldo?
Vou começar a procurar sorteios onde o prêmio seja "spa". Spa day, spa week, massagens de nomes bizarros, pedras quentes na coluna, águas termais, etc. Vai que ganho algum desses? Mas vai ser prêmio mesmo se for só pra uma pessoa, hehehe... e no máximo dois dias, senão eu me desmonto de saudade.

Não viaja, Uli. E vai dormir, que amanhã você vai se arrepender de ter vindo aqui.

-Falou a voz da consciência. Eu obedeço.
Boa noite.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Uma mãe animal", com muitas confusões e trapalhadas

Que rufem os tambores, preciso dividir esse momento: é quinta feira, são 4 e pouco da tarde, chove muito lá fora e estou - tchãrãnnn - com tempo livre!!!!!!!
Theo e Lara dormem aqui perto, cada um na sua soneca profunda da tarde. Tenho planilhas pra atualizar, roupas pra passar, armários pra organizar, mas decidi que... não. Simples assim. Hoje, não. My very own personal holiday.
Tenho pensado muito na missão que é a maternidade. O Theo frequenta uma pré-escola antroposófica, de pedagogia waldorf. As reuniões de pais, as conversas da saída da escola com as professoras e outras mães, o grupo de trabalhos manuais das mães que tenho feito parte às quartas feiras, tudo isso vem acendendo várias luzes no meu cérebro. Por que alguém coloca mais dois seres humanos no mundo nos dias de hoje?
A gente procura viver da maneira que considera a mais correta, certo? Seja seguindo os próprios valores, que vieram da família de origem, seja pra ficar bem aos olhos do nosso meio social, praqueles que estão sempre procurando o fio da meada.

Qualquer semelhança com minhas olheiras não é mera coincidência.
Procuro ser a melhor mãe que eu consigo. Como disse um pai na reunião da escola essa semana, "o que importa é a maneira com que vc diz o não para a criança. Se tiver culpa, danou-se. Se tiver raiva, a criança vai sentir. E isso tem que ser trabalhado dentro da gente, porque sim, às vezes dá uma raiva tão grande daquela pequena pessoa na sua frente te desafiando, e vc tem que ser o adulto da relação". Meus dias têm sido de desenvolvimento do auto controle nível ten plus mega combo.
Ontem a Lara, aos 6 meses, começou a se arrastar. Acabaram-se os dias de simplesmente deixá-la deitadinha no tapete de EVA cercada de brinquedos, a partir desse momento preciso reativar meus olhos da nuca, do couro cabeludo e acima das orelhas, porque com certeza ela vai se meter onde não deve. E o Theo, do alto dos seus 3 anos e 7 meses, está naquele dilema do "cresço e perco de vez meu posto de neném ou imito a Lara, já que todos acham tudo que ela faz tão fofo?". E entrei numa semana de impor meu papel de rainha, e ele como nobre e honrado cavaleiro me deve respeito sem questionar os porquês.
Aí existe a linha tênue entre não questionar as regras básicas de uma casa e da sociedade, mas sim, questionar o mundo sobre todas as curiosidades que tiver. E conseguir deixar isso claro pra uma criança pequena desgasta um ser humano, vou te contar. Hoje é quinta e tivemos 3 almoços só essa semana que acabaram na hora do jantar. " Você não levanta dessa cadeira enquanto tiver comida nesse prato". Choro, vela, fita amarela, barganhas, um menino dormindo encolhido na cadeira a sua soneca da tarde, passamos por tudo isso. Mas hoje ao receber o prato a colher foi naturalmente para as mãos em vez do "eu quero que você me dê!"
O difícil é ser forte, não sorrir nem chorar e manter a firmeza na voz, não voltar atrás depois que o impasse se instala. 
Hoje minha vida são essas crianças. Quando leio artigos e reportagens, quando converso com mulheres (mães ou não), é uma constante a idéia de que eu "não posso esquecer de mim". Que preciso ter um jantar romântico com o marido uma vez por semana, que preciso ter tempo para academia, que meu trabalho não deve ser renegado, que minha vida social precisa existir, que meus cabelos e unhas precisam estar sempre bem cuidados.
Então... até acho simpáticas essas idéias. Mas não. Tá, tá, não quero virar aquela mulher de rabo de cavalo torto, moletom sempre cheio de manchas de baba e comida e que não sabe falar de nada além dos filhos. É muito fácil ir por esse caminho. Mas ontem, conversando com minha mãe, acessei muitas memórias e ela ou meu pai SEMPRE estiveram lá. Ali. Perto.
Levei broncas, ganhei colo, tive ajuda pra fazer lição de casa, tudo que eu perguntava um dos dois sabia responder, minha casa cheirava bem, minhas roupas eram bem cuidadas, eu tinha uma boa educação (em casa e na escola), tinha lazer, tinha atividades extra curriculares. Isso com mais dois irmãos e um orçamento geralmente apertado.
Meus pequenos vão crescer (estão crescendo!!) muito rápido. Fui adolescente até outro dia, e sei que adolescentes querem os amigos mais do que os pais. Mas eu sempre quis meus pais perto, mesmo que passasse os dias com os amigos. Eram meus pais, não meus "BFF"s confidentes. E gostaria de ser esse porto seguro pro Theo e pra Lara. Que tenham seu amigos pra fazer suas confidências e aventuras, mas que se sintam à vontade pra compartilhar seus sentimentos comigo. E a hora de plantar isso é agora, quando estou atenta às suas necessidades, suas pequenas descobertas, seus treinos para serem humanos.
Como isso exige dedicação e tempo ( e agora são dois, cada um merecendo um tempo a sós com mamãe), tive que priorizar um bom tanto de coisas e deletar ou mandar pro depósito outro tanto. Como sinto falta de ler! Acabar com um livro em poucos dias, me deliciar com a história. Voltar a fazer cursos, nadar, fazer yoga... mas, sempre, a chave está no equilíbrio. Aos poucos o sono entra nos eixos, eles crescem e me ajudam mais, o tempo pro trabalho aumenta, de repente dá até pra postar no blog em plena luz do dia ;o)
O segredo é ter organização, estabelecer uma rotina e segui-la o mais fielmente possível e aceitar. Aceitar que não vai poder ir no aniversário da amiga na balada, que para ir no cinema é necessário organizar uma cansativa força-tarefa, que se conseguir fazer as unhas a cada 30 ou 40 dias, está no lucro. Que a escolha daquele homem pra ser o pai dos seus filhos tenha sido um momento inspirado e ele entenda que ou os dois assumem os remos do barco ou este vai ficar girando no mesmo lugar.
E que tudo vale a pena quando vc ganha um sorriso banguela ou um "eu te amo, mamãe", pelo simples fato de existir.
E o Theo acordou. Durou pouco, meu feriado ;op
xoxo,
Gossip Girl.


ps: BFF = best friend forever. Soooo teenager style.

UPDATE = enquanto eu escrevia isso, a amiga Camila Voigt perguntava no Facebook minha opinião sobre esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7ni0NwhNhD8 . Sincronicidade? Recomendo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O caos e a escuridão. E a luz no fim do túnel.

Voltei.
Arrependida de ter reclamado tanto dos sintomas da gravidez, quisera eu que nesses últimos dias meus únicos transtornos tivessem sido azia, dores ocasionais, inchaços.
Vamos lá: minha bota ortopédica deveria ter ficado no pé por duas semanas, ficou um mês. Sem dirigir, mancando, pesada. Lado bom: em vez de carro, usei táxi e ônibus pra ir ao consultório atender, ao dentista, etc. Me forcei a caminhar e saí um pouco do sedentarismo. Lado ruim: andei por aí de bota ortopédica. Quem disse que barrigão e bota são garantia de lugar no ônibus? Ô gentinha mal-educada, por Deus!!
Bueno, há duas semanas mudamos de casa. É. E estou no fim da 37a. semana de gravidez. Mas foi assim que pôde ser, aos 48 do segundo tempo. Irmão, cunhada e sobrinho amados foram de mudança pra SC e começamos a trazer as coisas pra casa que eles moravam e agora é nossa home sweet home no mesmo dia. Marido teimoso quis fazer o estilo "sou da Granero" e passou uma semana de mula de carga, baixou os bancos do carro e até a geladeira ele trouxe. Imaginem o stress, dele e o que ele espalhou em volta. Mas deu certo, sem grandes avarias.
Dica: se for fazer mudança grávida, faça com a barriga beeem grande. Isso comove as pessoas e a ajuda vem "de turma", menos de 15 dias e tá tudo praticamente no lugar!!

(Pausa para os agradecimentos aos familiares e amigos queridos:
Minha mãe continua sendo a melhor do planeta, organizando minha cabeça enquanto sugere usos, praticidades e lugares para as coisas (e mega põe a mão na massa). Meu pai com sua furadeira e boa vontade de carregador trazendo coisas pra lá e pra cá, Nega e Lu literalmente embalando, carregando e limpando as coisas, Jorge e Lia no backstage da infra-estrutura, fazendo diferença, lavando, pintando; Tathi, que espontaneamente se ofereceu pra pintar a decoração  do quartinho da Lara (e tá ficando todo fofo). Madi querida, sempre com um almoço na mesa e prestativa pra cuidar do Theo, além de ajudar no que eu preciso, na hora que eu preciso. Fora os amigos que dão bobeira de bater a campainha pra ver como a gente está e entram na dança, "pega aquela caixa ali, coloca isso aqui", etc, nossos muito obrigados.
E claro, ao meu Cau querido, que está vencendo todos seus temores, orgulhos e preconceitos e realmente me ajudando a fazer dessa nova casa nosso lar, uma casa de família e não uma república de estudantes.)

Então, 3  noites na casa nova e Theo passou mal à noite. Dois dias enrolando com própolis, repouso, mas o menino sem apetite e cabisbaixo começou a preocupar. Hospital e o resultado: pneumonia. Theo uma semana em casa, 4 inalações por dia, antibiótico e tudo voltou ao normal.

Peraí: o que teve de normal até agora??

Continuemos.
Pedi ao meu sogro que pintasse a cômoda e o berço do Theo pra dar uma "refrescada" nos móveis na hora da Lara herdá-los. Pois o homem arranjou montes de trabalho justo agora? Nono mês de gravidez e nada do berço no quarto ainda. Ai, ai...
Fora a entrega do apartamento, nossa grana foi priorizada pra entrar na casa nova, mas 10 anos morando de aluguel meio que deterioram "um tanto" um apartamento, e nossa última semana foi insana dando um jeito "artesanal" no bichinho antes da vistoria. Dá-lhe coluna e paciência.
E, claro, nesse mês venceu meu passaporte austríaco e tive que correr renová-lo, venceu nosso seguro do carro, mudou a administradora de condomínio do apartamento e a nova ainda não se afinou com a síndica, não sabem onde estão comprovantes e outras coisas importantes para que eu possa entregar o imóvel, tenho que cadastrar meu título de eleitor pra ontem, porque depois que ela nascer esse assunto com certeza sai da minha pauta de prioridades e sou capaz de perder o prazo, preciso ver o que ainda falta do enxoval da Lara e não tenho mais foco pra isso, não fiz minha mala da maternidade, Theo anda tendo crises de ciúme da irmã e tenho que prepará-lo para dormir duas noites na vovó enquanto estivermos no hospital, meu notebook (Positivo, boo-hoo! Fora, enganação!) resolveu que nessa casa ele não se conectará à internet, queimou o motor do portão da casa e roubaram o carro do serralheiro com o portão e o motor novo que encomendamos, e... ah, chega. Essa foi a parte do caos e escuridão. Precisava dividir, nem que fosse com o mundo.

E com tudo isso, ontem fiz ecografia e a pequena está linda lá dentro, já com 3 kg e 48 cm de gostosura e toda curtindo seus drinks de líquido amniótico. A barriga já deu uma boa baixada, aí como, me movimento e durmo melhor. Nas duas últimas noites fiz xixi tarde, na hora de dormir, e só acordei 6 e pouco da manhã pra fazer outro. Chego a dormir 5, 6 horas por dia, um recorde para essa gravidez.
É isso. Segunda faço meu primeiro exame de toque e avaliaremos marromenos quando Lara deve chegar.
E essa é a parte da luz no fim do túnel. ;o)
Se minha sanidade mental permitir, ainda volto antes do parto. Senão, hasta la vista. Foi bom estar com vocês.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Benzadeus

São 21:57. Theo está há 5 horas choramingando nos meus ouvidos. 5 horas.
Estamos em treinamento pra ele comer sozinho, apesar de fofo e companheiro pra muita coisa, insiste em ser dependente nas coisas básicas. E peoples, ele faz 3 anos em menos de duas semanas. E peoples, eu terei uma bebê pra me ocupar em 6 a 8 semanas. Mais que na hora, né? Não rola dar todas as refeições na boca, não rola levantar a cueca depois de cada xixi... não rola.
Tem sido uma semana intensa, essa. Faz 15 minutos que ele acabou de comer o prato... do almoço. Brigamos na hora do almoço, dormiu, brigamos nas últimas 5 horas. Tudo complicou porque decidi lavar as roupinhas da Lara, aí o caldo entornou. Enquanto ela mora só na minha barriga e não incomoda, tá tudo lindo, "quero muito minha irmã". A partir do momento que as coisas dela apareceram e mamãe priorizou cuidar DELA em vez dele, saíram cobras e lagartos daquela pequena boca.
Semana passada torci o ligamento do pé, estou de bota ortopédica por 3 semanas (uma já foi, ieiii!!). Isso quando carrego 2 kg de bebê e preciso(ava?) dirigir fazendo mil coisas antes do nascimento, agora sou pessoa que depende dos outros pra tudo. Então o humor não tá o mais 100%. Juntemos hormônios de oitavo mês saindo pelos poros e uma criança miando nos ouvidos por horas, ó...



Tem dias que só por Deus.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sementes Espalhadas

Já-já voltei. Ãrrã.
Realmente o ano não anda promissor aqui na internet pra mim. Muita coisa prática e mais urgente na frente pra dar conta, sabem?
Então que o nome da menina é Lara. Quem me acompanha em redes sociais já sabia, mas tamos aí, requentando notícia. Demorou, viu? 13 semanas de deliberações até a decisão final do júri. E hoje não consigo imaginar outro nome pra ela.
Ontem veio ao mundo Francisco, meu sobrinho pequerrucho, primeiro filhote do meu irmão caçula Bruno e da minha cunhada-irmã-querida Thaís. Não pude vê-lo ao vivo ainda, mas por fotos já apaixonei. Bem vindo menino lindo, que sua presença fortaleça ainda mais o amor dos teus pais!
Foi um, resta uma. O ano passou voando em torno de roupinhas e badulaques e montagem de quartos e mudanças. Minha mãe se viu doidinha lavando quantidades enormes de roupinhas dos netos, bebês foram assunto dominante, mas agora, com a chegada do pequeno Francisco parece que tudo começa a girar mais devagar, a entrar nos eixos.
Preciso maneirar na ansiedade, pois a balança não tem gostado muito dos meus abusos. Sem pensar entram quantidades enormes de carboidratos, açúcar e afins no meu organismo, quero ver essas calorias saírem dele! Mas tá, isso é problema pra depois.
Lara é grandona, posso sentir. Já virou, semana passada senti a cambalhota e desde então, é pressão constante nas costelas e nos meus amassados orgãos internos. Mas tirando os momentos de dor aguda, é delicioso sentir a pequena brincando lá dentro, fazendo ondinhas na barriga quando algo a incomoda, se posicionando desde já no mundo.
Theo está encantado com ela, conversa muito com a irmã, faz carinho toda vez que chega perto da barriga, e algo me diz que passando o ciúme inicial, vai ser pau mandado na mão da caçula.
E eu fico aqui no meu canto, às vezes pirando o cabeção com neuras típicas de grávida, outras vezes elaborando teorias profundas sobre a humanidade. No consultório, ando pessoa prática, tenho poucas sessões com meus queridos pacientes antes de "sair pra parir" e só volto dali uns meses. Tô plantando sementes em todos para que possam refletir nesse meu tempo fora e não deixem de se auto desafiar e se descobrir mais a cada dia, às vezes acho que falo além da conta; mas nenhum deixou de ir até agora, então deve estar tudo bem ;o)






E apesar da superlotação à minha volta, de sentimentos, de expectativas, de pressões e pessoas, por dentro entrei em fase minimalista, pasmem! Quero clareza, quero faxina, quero me livrar de coisas, quero o bom e o necessário por perto. Um ninho mais clean dessa vez, eu diria. Que será que me espera com o nascimento dessa menina?
Hasta.

terça-feira, 24 de maio de 2011

It´s been a long, long day...

Entonces.
Não passei dessa pra melhor, não. Estava apenas em um processo de vida mais real e menos virtual.
First things first: outro ser me habita e não é distúrbio psiquiátrico. Gravidez. Prenhice. Peguei barriga.

 Dessa vez é menina e isso meio que me apavora. Eu gostaria que fosse menina, mas com a confirmação saí da zona de conforto e agora todo um mundo cor de rosa se apresenta diante de mim. Frio na espinha.
Tenho ainda 5 meses pela frente de noites razoavelmente bem dormidas antes do furacão recomeçar, muitas questões a serem definidas (questões espaciais principalmente, digamos que nosso apto não seja exatamente enorme, e que a quantidade de coisas que existem dentro dele atingiu o limite que o próprio pode comportar).
Mas esse é o tipo de problema que tem solução. Já vi nas ecografias que ela é toda bem montadinha, tem tudo no lugar certo e isso sempre dá uma certa tranquilidade. Continuo não entendendo as mulheres que gostam de gravidez, mas isso provavelmente é porque eu sou uma control freak de carteirinha.

Como assim algo está acontecendo comigo e eu não posso controlar? Opinar? Saber de antemão?

Dessa vez, ao contrário do Theo, tive muitos enjôos (inclusive computador me enjoava, vide o sumiço), muitos sintomas típicos que até então eram apenas lenda de grávida. Lhes digo que foi BEM de verdade. Os pesadelos vieram com tudo, horríveis, apavorantes, mas no quarto mês tudo diminuiu. Amém. Já durmo melhor, já tenho mais disposição e lucidez.
Theo não gostou nadinha da possibilidade de ser uma menina, passou mais de mês agressivo, duelando fisicamente com minha barriga, mas na ecografia para confirmação do sexo ele foi junto e tudo mudou. Hoje conversa com a barriga, dá beijos no umbigo, conta orgulhoso pro mundo ouvir que "ele vai ter uma irmã!". Uff.
Pontos positivos: foi um bebê planejado; é minha última gravidez (a gente não deve dizer 'nunca', mas nessa caso, em sã consciência, será o último bebê); vou poder brincar de menina, brinquedo novo!; isso me aproxima mais da linha de chegada, onde em uns 3 anos terei duas crianças relativamente independentes e poderei voltar a ser mulher adulta, profissional, sair um tanto desse universo mimimi que me cerca.
Me conhecendo, sei que terei altos acessos nostálgicos de falta do mimimi, mas serão situações pontuais e só. Brincarei com os sobrinhos que ainda virão e vai passar.
Outro motivo de não vir mais tanto aqui é que não queria ser "monoassúntica" de novo, só falar de gravidez e bebês e berço e etc. Pra isso existem blogs bem específicos, das ditas mulheres que amam gravidez. Not the case here. Amo bebês, tanto que estou me dedicando a fazer mais uma. Ponto. Se precisa comer salada de agrião pra poder ganhar sobremesa, eu como. Não quer dizer que eu aprecie agrião.
Mas calma minha gente, que não tô assim um poço de mau humor. Existem lá aqueles momentos realmente mágicos de sentir um leve cutucão de um micro pézinho de 2 cm te fazendo cócegas por dentro. Existe aquela facilidade para se emocionar com as coisas mais simples da vida. Existe a - geralmente respeitada - lei da preferência em filas e lugares públicos. E nessa gravidez específica existe aqui dentro a diminuição de consumo de chocolate, por puro desinteresse (pasmem!) e um aumento da vontade louca e desvairada por frutas. Saudável, feliz, ponteiros da balança e minha obstetra agradecem.
A bebê ainda não tem nome, isso tem me incomodado um tanto. Um dia eu acordo com o nome na cabeça, assim espero.
Aos poucos, ela vai ganhando espaço nessa família.

Voltaremos em breve com um boletim atualizado dessa(s) vida(s) do lado de cá.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ao Infinito, e Além!


Setembro... que mês.
Bom, depois da divulgação, o balde de água fria: parei com a melatonina. Andei lendo mais sobre ela e tem zilhões de recomendações positivas, mas uma das negativas me chamou a atenção: ela poderia talvez quem sabe interromper o ciclo reprodutivo da mulher. Como:
1)sou mulher e
2)quero meu ciclo reprodutivo por ainda alguns anos,
decidi parar um tempo. Na verdade nosso corpo produz a dita cuja, é um hormônio que chega no pico de produção às 2 da manhã. Geralmente estou acordada ainda esse horário, e não em sono profundo, aproveitando as 'benésses' hormonais. Donde que resolvi tomar na versão sintética mesmo. Mas tudo bem, pós procriação total da família, retomo de onde parei.
Aí que o corpinho, já com uns bons dois meses de uso, sentiu a falta. Voltei a me arrastar por aí. Os seriados nem são a culpa, o notebook que ficava no quarto conectado à tv foi-se embora pra bem longe. É função mesmo, arrumações, leitura, passeios até tarde por aí.
Minha vizinha querida também me tirou o sono. 28 anos no máximo, gravidez tranquila, teve sua bebê dia 1º de setembro, em casa dia 03, dia 08 já no hospital com mastite e pontos inflamados, daí por diante foi só ladeira abaixo. Dia 16 a menina veio pra casa com o pai e a mãe foi pra UTI, septicemia e o escambau. Essa semana, Graças a Deus saiu da UTI e está no quarto, esperando vir pra casa. Mas acho que nunca rezei tanto por alguém. Eu e o Theo, corrijo, pois ele tem santo forte e é de derreter o coração rezando.
Ainda em setembro Theo fez dois anos. Isso mesmo, meu passarinho logo vai conseguir sair sozinho do ninho pra buscar suas próprias minhoquinhas e insetos. Aí rolou festinha, com ela sempre stress, claro. Ai que gastura isso. E o pior é que vêm várias pela frente. Ou não, como dizem minhas amigas, "faz na escola e pronto". É.
Mas ele tá um menininho muito feliz, fala de tudo, negocia, interage. Essa semana virou pai solteiro. Encontrou um boneco ("menino, porque tem pipi") que era do primo Pedrinho e tá agarrado nele a semana toda. Faz arrotar, canta o boi da cara preta, e eu achei daquelas mamadeiras mágicas (que vc vira e o líquido some dentro do bico), ah, pra que! Dá 8 horas da manhã chega o pai preocupado, "mamy, cadê a mamadeira, meu nenê tá com fome!"
Avó aos 35. Só me faltava essa.
Vamos levando. Em passo de tartaruga, ajeito minha rotina.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cadê?

Sumo por quê?
Sempre parto do princípio de que, se não há a nada de bom a ser dito, que se mantenha o silêncio.
Não que minha vida esteja um erro. Mas tenho passado por dias bem "cotidianos", uma gracinha do Theo aqui, um momentinho delícia ali, e entre idas ao mercado, médicos de rotina, fazer almoço, arrumar a casa, ir pro consultório atender, vão-se os dias. O corpo reclama a falta de descanso decente, o bolso reclama a falta de mimos fora do orçamento, a mente reclama a falta de leitura por horas a fio sem preocupações maiores.
Theo já tem 11 dentes (mas o juízo acho que só vem com os dentes do siso mesmo). Fala tudo, muita coisa no idioma particular dele, mas imita todas as palavras que ouve e o encantam. É "gelado" pra cá, "pesado" pra lá e, mais importante que falar apenas, já entende o conceito por trás das palavras. Falta apenas a noção de tamanho e espaço.
Por exemplo, sabe que sapatos vão no pé. Mas já o vimos algumas vezes tentando calçar o tênis da Barbie da prima. Ou tentando entrar pela porta de um carrinho ou jipe de plástico, irritado por não caber.
Tem um temperamento forte, o pequenino. Sabe o que quer e como chegar lá. Cabeça dura em todos os sentidos, teimoso como só a mistura desse pai e dessa mãe poderiam resultar e com um esqueleto de adamantium, impressionante como se machuca e não reclama de dor praticamente. Ainda mama no peito, o que nos mantém mais ligados ainda. Domingo completa um ano e meio, mas parece uma longa vida já, essa nossa em comum.
Parte de mim quer uma casa cada vez mais limpa, clássica, cheia de portas de armários e sossego para os olhos. Aí vejo um ambiente verde maçã com cortina de listras em tons de rosa e uma mesa com toalha de bolinhas rosa clara e me apaixono.


A vontade é contratar uma caçamba, estacionar na garagem do prédio, abrir as janelas e jogar tudo que passar pela frente dos meus olhos. Aí penso que sou canceriana, que adoro uma memória, um "recuerdo", uma herança de vovó e sossego o facho.
Sinto que preciso viajar, pra longe, pro desconhecido, pro novo. Muito tempo fincada por aqui, o mês na praia foi uma extensão de casa, né? Casa dos pais, ambiente conhecido, praia sem graça. Só pra mudar de ares, mas o efeito psicológico ficou faltando.
Vou aproveitar que ainda é cedo e ler, como há tempos não faço. Theo no berço, marido na agência e eu envolta na trama policial de "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres", de Stieg Larsson.
Buona notte!
E feliz Dia Oficial da Mulher!! Mas nos parabenizo todos os dias, pois não é qualquer homem que aguentaria o tranco não...



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ufff...

Bom, com exceção do meu pseudo-falecimento no último post, faz tempo "dimaisdaconta" que não apareço.
Soooo much has happened since then!
Theo fez um ano. Como sempre, fiz tudo de última hora, Cau conseguiu dois banners do Pocoyo, pedi toalha, copos e pratinhos também do Pocoyo, pela internet, mobilizei família pra me ajudar com comilanças e enfeitações e pronto, Theo teve festinha. Se divertiu horrores, foi dormir quase uma da manhã! Ganhou uma motoquinha/triciclo do meu irmão, que montou pra ele às 10 da noite e era meia noite, o menino tava no sereno, berrando porque não queria largar a tal motoca. E nem andar andava...
Tive sogros em casa por quase 15 dias, tive um "travamento" na lombar que não me deixou pegar Theo no colo uns 20 dias, quanto mais ficar sentada teclando, tive calor, falta de paciência, de inspiração, tive TPM, enfim.
Mas não escrever faz falta. Muita falta.
Theo já anda. Meu pequeno pinguim. Ô fase mais fofa! Por outro lado, parece o Taz, virou minha casa e minha vida do avesso. O dia mais nojento foi quando cheguei no banheiro e ele estava escovando o cabelo com a escova de lavar o vaso sanitário. O dia mais perigoso... bom, foram vários. Tirou a lâmpado do bocal do abajur e peguei a mão dele quase encostando naquele contatinho de metal no fundo do bocal. Abriu um frasco de Veja Cloro Ativo e outro de Sapólio (em pó!!). Quebrou um copo e , entre eu ouvir quebrando e chegar até ele, já tinha um caco enorme na mão, esticou pra mim e disse "ó!". Empilhou brinquedos dentro do cercadinho e escalou, peguei a criatura com metade do corpo caindo pra fora. Encostou as duas mãos no forno quente. E por aí afora.
Calma, não precisa chamar o conselho tutelar! Não sou descuidada, pelo contrário! Mas moro de aluguel e todos os armários da casa são no chão. Sem chance investir pra fazer novos, né? Não tenho babá, empregada, cozinheira e todo o arsenal das globais, quem lava, passa e cozinha sou euzinha. Duas mãos? Horários a cumprir? Um bebê que escala o cercadinho?
Aí que vamos nos entendendo, uma bronca aqui, dois abraços ali, três gargalhadas pra lá e pronto, passou mais um dia.
O lado bom é que minha porção Tia Anastácia tá afloradérrima, todo dia minha cozinha cheira bem e modéstia a parte, o gosto do que sai de lá tem ficado bom mesmo. Perdi todos meus medos de cozinhar (eram poucos, mas importantes: carnes em geral, criações flambadas, com vinho, com ingredientes muito caros, etc). Agora decido fazer uma receita e mando ver. Quase todas as receitas com pitacos e adaptações pessoais. Theo precisa de arroz, algum feijão, mais um carboidrato, algo verde e proteína. Tudo cortado miúdo, sem pimentas de preferência. Então entrei num estado de aceitação, essa é a vida que tenho no momento e preciso aproveitar o máximo possível dela. Se ser mãe zelosa e dedicada é o canal, melhor entrar em sintonia. Me atrapalho um pouco no resto, mas sei que não é pra sempre. Um dia ele vai pra escola, um dia vai preferir estar com os amigos, então agora é a hora de curtir bem meu picolino.
Também voltei ao vício dos seriados/sitcoms. E são tantos! Sozinha acompanho nove e com o marido, mais oito. Essa virou minha vida social, que absurdo. Abençoada internet que nos permite baixar e assistir sem cortes, na hora que dá. E lá se vão horas preciosas de sono, madrugadas adentro. Sorte que Theo acorda no mínimo às nove da manhã!

Assim, entre um bebê cheio de energia, panelas fumegantes, acompanhar a Batalha Final entre os "V" e os humanos e os dramas e humores do Seattle Grace Hospital, além do consultório, obrigações do lar e de administradora financeira, vou rebolando. Uma hora encontro o equilíbrio ideal. Certeza.
Hasta.



sexta-feira, 17 de julho de 2009

Trêspontoquatro


Então que ontem envelheci mais um ano. Não planejei nada, no máximo pedi um bolo pra tia madrinha (que se empolgou e fez três - brigadeiro com côco queimado e marshmallow, damasco com doce de leite e torta de limão) e fiz cachorro quente, o tradicional dos meus aniversários. Aí deu vontade e fiz brigadeiros e minha mãe fez um pavê louco de bom, aí minha sogra fez torta de frango.
E minha família foi chegando, e algumas amigas também foram chegando. Assim, à vontade. E quando vi tive festa de aniversário! E algumas ligaram, quiseram e não puderam vir, daí vieram hoje, e tive... repeteco de festa improvisada.
Theo se comportou, foi no colo de montes de gentes. Experimentou doces e cremes, acho que gostou. Pessoas à minha volta de bom humor, eu cansadésima mas feliz, tranquila. Ganhei a bolsa mais linda, que minha "dear mommy" ralou costurando por dias. Cheia de gatos!!
Tenho uma pilha de scraps do orkut mais facebook e e-mails pra responder, e faço questão de responder um por um, personalizado. É um jeito de perguntar e saber um pouco de cada um que lembrou de mim.
Agradeço por um ano bem diferente, pela maturidade que a maternidade me trouxe, pelas faxinas internas que já comecei a fazer. Peço mais organização e priorização do que é realmente importante nessa vida.
Começo bem esse novo ano.
Namastê!


terça-feira, 14 de julho de 2009

Smile

Theo está aprendendo a dar risada. Não a rir, claro; o menino está fazendo dez meses hoje e ri desde que me lembro dele fora da minha barriga.
Mas entrou na fase de responder comandos e, com isso, encantar todos em volta. A gente pede "palminhas", ele ergue os bracinhos e dá-lhe bater palmas; pedimos a "zebrinha", põe e tira a língua da boca rapidamente (alguém aí tem idade pra lembrar da zebrinha do Fantástico, que fazia o mesmo movimento quando davam o resultado da Loteria?); no "Fusquinha", imita um porquinho de nariz enrugado e soltando ar pelas narinas (na minha opinião, o mais fofo de todos). E reparou que as pessoas em volta riem, outras vezes sorriem, algumas gargalham. E de repente estamos lá, rindo à toa, ele começa a gargalhar nos imitando. Risos quebrados e pausados, tentando acertar na entonação. Três dentes e muita gengiva aparecendo e um extremos controle por parte da mãe dele pra não esmagá-lo de tanta fofura.
Ô trem bão esse de ser mãe!




segunda-feira, 29 de junho de 2009

Querido Diário

Hoje me senti "tipos" Larry, Curly e Moe. All at once. Ô, diacho!

Tranquila, fazendo meu almoço e a sopa do Theo, ele reclamando no cercadinho. Solidão, acho.
Puxei o cadeirão pra cozinha e coloquei lá o pequeno, assim nos faríamos companhia. Nisso toca o telefone na sala. Entre pegar o aparelho e voltar pra cozinha, ele conseguiu se esticar diegohipólitamente e puxar e jogar no chão uma caixa com 12 ovos, mãozinhas já tocando o açucareiro. Next in line.
Tudo bem até aí, quem mandou deixar ovos ao alcance de um bebê? Abro a caixa, um espatifado escorrendo no chão, dois apenas com a casca quebrada. Beleza, estrago pequeno. Na pressa, a manga da blusa derrubou mais um (obviamente não um de casca trincada), direto para o chão. Caiu em grande estilo. E outro caiu na pia. Xinguei Nossa Senhora da Santa Paciência e em movimentos muito rápidos, querendo limpar tudo antes de espalhar mais, derrubei a panela de pressão (sem a tampa, que é pra dar mais emoção) com a sopa pronta dele na pia. Metade se espalhou em cima da louça suja. Agora duplamente suja.
Detalhe: no telefone, era a homeopata confirmando consultas dele e minha para dali a uma hora e meia. Lá, no consultório. E nós aqui, em casa. Ainda sem almoço, ainda sem banho. E com ovos escorridos pelo chão.
Pois muito bem, antes de comer, mamãe caridosa resolve tirar o cocô da fralda do bebê. Com pressa. Ah, a maledetta...
Puxo a fralda com bolotinhas escuras e deixo a mesma cair no chão do quarto. Um ser de 9 meses e sem um pingo de juízo semi-nu em cima de um trocador e seus dejetos rolando pelo piso do quarto. Qual atender primeiro?
Toca o celular. Atendo esse primeiro. O amigo do pai que emprestou uma nota fiscal e usou nossa conta para um depósito e quer que eu anote "as agências e contas" para onde o dinheiro deve ser transferido. "Amanhã, se possível, ok?".
Theo come, ao mesmo tempo engulo minha comida, em etapas. Ele cochila uns 15 minutos, nos quais eu tomo meu banho versão troca-de-pneus-durante-a-corrida-de-F-1, uma mão ensaboando a cabeça enquanto a outra lava o pé.
Heroicamente, chegamos com apenas dois minutos de atraso à consulta. Falo descompensadamente que preciso de homeopatia pra ontem, porque "acho que estou ansiosa". A médica me olha com olhos de compaixão.
Aí lembro que a bateria do carro precisa ser trocada, e por quê não também as palhetas dianteiras? Um pulo na farmácia, pois ainda amamento e minhas vitaminas acabaram. Também vou ao banco, ver se o cheque do homem já compensou pra começar a transferir o dinheiro. E na farmácia homeopática, mandar fazer a lista que a médica recomendou.
Ops, hora do Theo comer. Papinha Nestlé, no carro mesmo. Derrubo a colher cheia de papinha de mamão e laranja em cima da minha blusa. Água pra limpar? Acabou. Uso a da mamadeira. Theo puxa a mesma da minha mão e vira em cima de si. A única roupa, na pressa não levei extras.
Uff. Já cansei. Isso que nem cheguei em casa. Mas já deu pra sentir como é um dia típico na minha wonderful life. Fora trânsito, estacionamentos, flanelinhas-filhos-de-satã-tentando-estorquir-dinheiro-fácil, tira bebê da cadeirinha, põe bebê na cadeirinha... sorte minha, a maior de todas, é ter comigo o menininho mais compreensivo e risonho do planeta. Isso torna tudo mais fácil e consigo rir na maior parte das vezes. Sorrir, pelo menos.
Só faltou a torta de chantilly na cara.



terça-feira, 23 de junho de 2009

"Na saúde e na doença"

Bom, Theo sarou da gripe. Aí fui em quem caiu na dança. Em seguida Cláudio fez as honras e entrou na contradança, e assim passamos um mês emperebado.
Apesar do "virus free environment", a preguiça e lezeira típicas de inverno chegaram, na verdade praticamente despencaram, aqui em casa. O único em constante movimento é o pequeno. Gente, como pula! E derruba coisas, e quebra outras, e gargalha muito e sempre.
Esse frio curitibano é de lascar, a roupa demora uma era pra secar no varal. Tenho três, sempre cheios. E fico perseguindo qualquer vestígio de sol ou vento pela casa, na tentativa de adiantar minha vida e minhas funções "do lar".

¨¨¨¨
Minha gata mais velha, a Miucha, está doente. Foi meu presente de 18 anos, já está com 16, a bichinha. Desde que me mudei para um apartamento ela ficou morando com meus pais, estava acostumada com jardim, tomar sol lá fora, etc. É tida como Highlander há anos, essa nasceu com umas 19 vidas. E já gastou quase todas, de tanto que aprontou em vida. Mas começou a "inflar" há umas duas semanas e está há 5 dias internada. Aparentemente, o intestino não estava funcionando há um bom tempo, estava desidratada e coisinhas decorrentes do quadro. Daí pra ultrassom, raio-x, dias de fluidificação e nesse momento, cirurgia, foi um pulo.
É uma gata super discreta, se procurar bem é capaz de se encontrar uma plaquinha de patrimônio por baixo do pêlo. Quase um móvel da casa, sempre ali, dormindo ou acompanhando os movimentos da família. Não me agrada em nada a possibilidade de perdê-la... tantas memórias boas com ela no meio! Foi testemunha da minha adolescência tardia, companheira, dividiu a cama comigo por muitos anos, me defendeu e alertou de perigos inúmeras vezes. Chata como só uma boa siamesa consegue ser, inteligente a ponto de subir na pia e bater a pata na chaleira às 5 da tarde, hora de esquentar a bolsa de água quente dela.
Há duas semanas, no feriado, pais viajaram e fiquei encarregada de ir até a casa deles cuidar da Mi. Logo no primeiro dia, uma angústia enorme ao vê-la. Demorou a atender meu chamado, quase não havia comido. Mas veio toda fofa, ronronando e querendo seu cafuné. Senti algo esquisito. Nossa comunicação anda falha, com o Theo minhas atenções não se voltam mais muito para ela quando vou até lá. Mesmo assim, nossa sintonia é forte. Dias depois, o pedido para que eu a levasse ao veterinário. Na consulta, garganta engasgada o tempo todo. Me despedi dela com muito carinho e conversa. Mas essa história de cirurgia me deixou apreensiva... em tese é só pra retirar líquido da cavidade abdominal, mas os exames até agora foram inconclusivos.
Que ela não sofra.
No aguardo de notícias.



quinta-feira, 28 de maio de 2009

Virose


Então que meu bebê tem gripe. Então que o nariz dele tá super entupido, e ele ainda não sabe expelir o muco. Então que precisa ficar o máximo possível de tempo inclinado/quase em pé pra poder respirar melhor.
Então que a mãe dele não dorme direito desde segunda, tendo inclusive na primeira noite ficado sentada o tempo todo com ele no colo, preso ao sling pra não cair, na esperança que ele tivesse ao menos umas duas horas de sono tranquilo.
Então? Que eu amo esse menino absurdamente mais e mais a cada dia, com ou sem dormir.
Que sare logo!



terça-feira, 19 de maio de 2009

Estado de graça


Meus sais, como esses dias têm voado. Theo um tempinho de nada atrás tava dentro do barrigão, agora já fez 8 meses e só apronta, o menino.
Faz tempo que não conto dele, deixa dizer que esse meu pequenino é realmente um serzinho abençoado. Ri da vida, sempre! Com 6 meses começou a se arrastar por tudo (não entendeu bem o processo de engatinhar oficialmente, mas tá valendo). Já fica em pé sozinho, se segurando nas coisas. Subiu numa estante esses dias pra tentar pegar um livro, já peguei-o no segundo degrau da escada, já prendeu dedinhos na gaveta da cozinha, hoje mesmo puxou uma cadeira pesada de madeira em cima de si, fez galo na cabeça e um belo machucado na testa.
Mas sabe? Não me apavoro. Na hora vem o choro e claro que colo de mãe (e de tia, de vó) serve pra acalmar. Logo ele esquece que se machucou e já tá dando risada de novo.
Vejo como a maternidade depois dos 30 é benéfica em tantos aspectos: tenho disciplina e paciência (e consciência da importância!) de preparar comida fresca pra ele todos os dias. Sopa e papinhas de frutas, além da outra paciência, a de dar comida 3 a 4 vezes por dia pra alguém que se distrai até com um fiapo preso na roupa. A de montar e desmontar o aparato de banho todas as noites, porque sei que na banheira ele relaxa e dorme melhor (depois do banho, calma!)que no banho de chuveiro; a "vontade imposta" porém necessária de brincar com os mesmos brinquedinhos de borracha todos os dias, inventar historinhas diferentes pra cada um, cantar as musiquinhas mais bestas e dançar como uma retardada só pra ganhar um sorriso e uns minutos de entretenimento, porque ele merece. Saber a hora de dizer tchau e cuidar um pouco de mim, dos meus afazeres, do consultório, enquanto ele aprende que mamãe faz parte, mas não É parte dele.
E isso tudo amando profundamente e vivendo cada minutinho com esse bebê ao máximo, pois sei que logo acaba e ele vai pra vida, eu sou só a base da construção.
Aos que me lêem sempre, desculpe o sumiço. Mas esse post é meio auto-explicativo, né? Sinto muita falta daqui, mas tem alguém que PRECISA da minha presença, corpo e mente, nesse momento da vida. Aí que posts, só quando não tô desmaiada de cansaço em algum canto. Logo, espero!
Namastê.



terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cartinha


Noel, papi querido!
Então é Natal. De novo. Não te escrevi ano passado, pois estive ocupada num téte-a-téte com outro Papai, o do Céu. Pedi a ele um bebê e fui prontamente atendida (confirmei a gravidez dia 14 de janeiro! Networking é tudo, o negócio é falar com a pessoa certa. Fica a dica).
Dadas as circunstâncias, 2008 foi um ano de "grandes proporções". Muitos quilos. Muitas fraldas. Muitos votos de saúde e todas as boas coisas da vida para o pequeno Theo e para a família que ele escolheu como sua. Também um ano (já) de muitas risadas vindas de uma boca banguela e muito amor ao cubo por essa criaturinha.
Nesse departamento, tudo tranquilo. Saúde também está sob controle, com exceção de um torcicolo desgraçadamente desnecessário que me apareceu ontem e não parece querer ir embora tão logo. Coloquemos panos quentes (mesmo!), afinal é Natal.
Sei que já está em cima da hora para pedidos, mas queria uma forcinha aí no quesito financeiro. Porque essa história de licença-maternidade é linda, mas e quando a gente é autônomo e ninguém banca a ausência? O marido segura as pontas com dignidade, mas fazer as unhas com nossas próprias moedinhas tem bem mais sabor do que com o moedeiro alheio. Mega-Sena eu não peço, pois tenho noção que não jogo. O senhor é O Bom Velhinho, não O Ilusionista. Mas quem sabe aquela ação que tenho com minha antiga empresa, falida, cujo processo está estacionado, poderia de repente pular pro começo da pilha? Hein? Hein?
Agradeço desde já, emocionada.
E claro, como não poderia deixar de ser, um exemplar capa dura d´O Pequeno Príncipe e a Paz Mundial.
Beijo na ponta do seu nariz cor-de-rosa.



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mas tava aqui, pra onde foi?!

Hoje me caiu uma ficha (por sinal, acabo de ver como estou passé composé, fichas caíam nos telefones públicos do século passado!): doismileoito acaba mês que vem. Ãrrã. 38 dias apenas. Mas ontem mesmo eu estava de taça de espumante na mão comemorando o ano que ia nascer, com muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender!


Pois foi o tal do ano, esse. O bolso não viu muito dinheiro, a saúde esteve praticamente inteira voltada para a fabricação e o bem-estar do Theo. Deixei de ser só filha para ser também mãe. Revi montes de amigos, resolvi outros montes de pendengas. Comentei uns posts atrás, antes do Theo nascer, que sentia como se estivesse de mudança pra Namíbia em setembro, tal era minha urgência em terminar e organizar coisas, pois achava que nunca mais ia voltar a ser dona da minha vida. Pois digo novamente, que bom que fiz tudo aquilo. E que pena não ter conseguido fazer mais. Como esse menininho exige minha disponibilidade!
Tô só esperando o momento em que vou me pegar correndo atrás da bolinha vermelha que ele jogou, no melhor estilo "vai ali mamãe, pega!"...
Fazendo parte deste mundo gestante/pós-parto descobri coisas absurdas na internet. Sites, fóruns de discussão, comunidades, esse é um mundo bem neurótico e "florzinha". Não me decidi por tomar partido de nenhuma corrente específica. Não quero o pequeno dormindo na minha cama, por exemplo, mas também não acho legal deixá-lo berrando sozinho no berço até ficar roxo e perder a voz. Produzi uma criança muito grande, que, se você ficar parado olhando com bastante atenção, é capaz de conseguir ver crescer. Logo logo não cabe mais no colo das pessoas, por maior que seja a boa vontade. Então por quê não encher esse menininho de colo, chamego e cafuné enquanto ainda é possível, sem precisar de Gelol e tipóia depois? Combinei com a pediatra dele que vamos resolver como tirá-lo do hábito de ficar pendurado em mim mais pra frente.
Mas como tuda na vida tem consequências, esse gesto de amor de mamãe para filhote se torna uma faca de dois gumes. Ou tá no meu colo ou não tá bom. E anda em fase de pico de crescimento, pedindo leite de duas em duas horas. Detalhe: se mama 7 da manhã, pede de novo às 9. Mesmo que tenha ficado mamando até 7:40, aí feito uns charmes, se espreguiçado e dormido só 8:20. Quando começo a cochilar, ele abre o bocão de novo. Sei que comportamentos se condicionam, acredito piamente que vou conseguir mudar isso daqui um tempo.
Isso tem me deixado afastada de tudo, inclusive do Baú. Sinto falta de escrever, de organizar minha vida, de ir ali e já voltar, sem precisar levar a mudança junto. Até 2007 acabar, eu era dona de verdade da minha vida e não tinha consciência disso. Não voltaria atrás por nada, me encontrei sendo mãe e apesar de andar por aí com uma cara meio bocoió, anotando tudo nas mãos pra não esquecer, sei que vai passar.
Descobri minha gravidez 14/01/08 e minha vida mudou 14/09/08. Tinha como 2008 não ser o ano do mono-assunto?


Meio cedo pra uma retrospectiva? Mas como posto sem saber quando voltarei, melhor me garantir ;o).
Que 2009 seja mais diversificado de assuntos, que meu pequeno-grande Theo cresça saudável e cada dia mais fofo, que minha porção Mulher-Maravilha aflore, pra eu dar conta de tudo que me espera. Urgente.



terça-feira, 16 de setembro de 2008

Nació el niño

Theo chegou ao mundo. Dia 14, virginiano com ascendente Escorpião e lua em Peixes. De cesárea, o que acabou sendo bom, pois o cordão dava duas voltas em torno do pescoço. Ele é lindo (coisa de mãe, né?) e saudável (coisa de médico). Passa bem nosso resultado da Tele-Sena, de hora em hora a mamãe ganha o prêmio cupom-alimentação.
Mamãe essa que por sinal está de pontos, cintas e dores variadas. Mas juro que ignoro e mal reparo, tão bom é ter o pequenininho se acalmando e parando de chorar cada vez que sente meu cheiro.
Nasceu uma família.



sábado, 30 de agosto de 2008

Ain!

Não... não foi ontem. Hoje, talvez?
Passei o dia com a barriga naquele endurece-amolece. Sem dores e ainda não totalmente baixa, a pança. Queria tanto um setembrino! Espero que aguente ainda.
Ô, ansiedade que perturba!
Difícil pensar em outro assunto.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Será que é hoje?

Será?
Amanhã é lua nova. A nona lua da minha gravidez. Fez calor a semana toda, inchei muito. Agora à tarde esfriou e melhorei absurdamente.
Ontem minha boca aumentou, mas o nariz também. Ouvi das amigas "aí, hein! Vai ficar com o bocão da Angelina Jolie!". Mas focaliza, de que adianta ter a boca à la Jolie se o nariz em cima é do Bozo?
Minha barriga endureceu a tarde toda. Sem dor, só ficava dura e amolecia em seguida (tipo nesse exato momento, de novo). Fiz trocentas coisas (diz que no pré-parto a gente vira mulher maravilha e quer resolver todos os problemas do planeta, da fome na África até arrumar a gaveta de calcinhas).
Amigas pra lá de especiais, em todos os sentidos (minha confraria de bruxas do bem) me ligaram ou entraram em contato hoje de alguma forma pra dizer que sonharam com o Theo e com meu parto na noite passada. Parto normal, ieiii! Pelo menos.
Por via das dúvidas o berço dele foi arrumado, o quarto organizado, minha mala e a dele da maternidade estão prontas. Pessoas-chave no processo de deslocamento até a maternidade já estão de sobreaviso.
E pra completar, hoje faz 9 anos que estou com o Cau! Simbólico, né?
Queria muito que ele aguentasse até o final da semana que vem, mas já que o Universo parece estar sinalizando de outra maneira, ouvirei o recado e vou sossegar. Começando já, banho e pernas pra cima.
Abraços da nave-mãe.