Os pequenos dormem profundamente. Vou aproveitar que o sono não me dominou por completo.
Minha teoria do último (e empoeirado, cof, cof!) post, aquela onde eu dizia que seria organizada e teria rotina, sabem? Pois é. Ainda não funcionou.
Mudei de consultório em julho. Pagava demais no centro da cidade para usar de menos. Como percebe-se, não quero abrir mão da profissão, mas também não é o momento de sair por aí fazendo palestras e folders e angariar novos pacientes. Casa, ninho, crianças pequenas. Depois mudo o foco.
Então comecei a atender minhas pacientes queridas, que não se importam com meus eventuais atrasos e mamadas fora de hora, num local muito especial, que pra minha sorte fica embaixo do apto dos meus pais. O ruim é que fica do ooooutro lado da cidade. Ir até lá implica em almoçar correndo em casa ou almoçar na minha mãe, pós escola do Theo (que acaba 12:15, soma trânsito, danou-se almoço na horinha certa da fome dele). Já começa a confusão. Aí ele não dorme de tarde, porque fica alvoroçado com o primo, a avó, as pessoas queridas dele que transitam por lá.
Lara, que tem altas tendências pra ser arroz de festa, curte muito os paparicos, passa a tarde com biscoitos na boca, não dorme tudo que precisa. E a vinda pra casa de noitinha é longa o suficiente para que durmam e curta demais para que seja todo o sono que precisam. Chegam em casa acordando ao sair do carro, aos berros, irritados, é um parto de elefante fazer todo mundo sossegar (eu inclusa), fazer com que jantem, tomem banho, as noites invariavelmente são minhas a partir das... 23:00. Pra comer, tomar banho, lavar louça, verificar extratos e pagamentos, separar roupas limpas de sujas, ler, ver tv... e ter que acordar 7:00 pra arrumar o Theo pra escola.
"Donde que" acabo não fazendo metade e o blog, esse que me faz tanta falta, fica só na lembrança de tempos áureos onde minha vida era só minha.
Fique claro que não dou, não vendo e não troco esse meu mundinho caótico. É bagunçado, mas é meu, e eu amo muito tudo isso ;)
Mas alguns desses dias me pego com a faca na mão, cotovelo apoiado no avental e o pensamento lá longe. Invejando Dona Benta, que tem tia Anastácia a postos na cozinha fazendo delícias. Ou varrendo pela terceira vez a trilha de comidinhas que a Lara vai soltando (pra não se perder no caminho de volta, penso eu?) e sonhando com o dia em que a Rose não será apenas a empregada dos Jetsons, mas uma realidade. Torcendo para que chegue logo o dia em que essas crianças aprendam a se limpar sozinhas depois do cocô. Mentalizando boas vibrações para o marido chegar bem humorado em casa e pelo menos lavar a louça empilhada na pia.
Assim, devaneios. Não paga nada por isso, né Arnaldo?
Vou começar a procurar sorteios onde o prêmio seja "spa". Spa day, spa week, massagens de nomes bizarros, pedras quentes na coluna, águas termais, etc. Vai que ganho algum desses? Mas vai ser prêmio mesmo se for só pra uma pessoa, hehehe... e no máximo dois dias, senão eu me desmonto de saudade.
Não viaja, Uli. E vai dormir, que amanhã você vai se arrepender de ter vindo aqui.
-Falou a voz da consciência. Eu obedeço.
Boa noite.













